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quarta-feira, 04/03/2026

Maria da Penha participa de evento para mulheres no Sebrae-DF

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O empreendedorismo feminino e a segurança das mulheres foram os principais temas na manhã da abertura do evento “Movimente 2026”, realizado nesta terça-feira (03/03) no Royal Tulip Brasília Alvorada, em Brasília. Organizado pelo Sebrae-DF, o encontro reuniu líderes políticos, empresariais e representantes da sociedade civil para debater a autonomia econômica, políticas públicas e o combate à violência no Distrito Federal. A ativista contra a violência doméstica, Maria da Penha Maia Fernandes, foi uma das homenageadas da programação.

O evento acontece até quarta-feira (04), com atividades das 9h às 21h em ambos os dias. A participação é gratuita e as inscrições estão disponíveis no site do Sebrae-DF. A abertura contou com o discurso da diretora superintendente do Sebrae-DF, Rose Rainha, que destacou que mais de mil mulheres empreendedoras foram ouvidas em 2023, e 98 especialistas em 2024, para tornar a capital um ambiente acolhedor para mulheres que desejam empreender.

Rose Rainha destacou: “Mais que um evento, o Movimento 2026 é uma plataforma permanente de articulação institucional. Mulheres não são apenas um tema, são agentes econômicos essenciais. Estamos tratando a equidade de gênero como uma questão macroeconômica. Apoiar negócios liderados por mulheres amplia a produção, diversifica o mercado e gera emprego, renda e estabilidade social.”

Também estiveram presentes o governador Ibaneis Rocha e a vice-governadora Celina Leão.

Homenagem a Maria da Penha

Maria da Penha Maia Fernandes, símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil, compartilhou sua história no evento, enfatizando a importância do combate à violência contra a mulher e ao feminicídio. Ela relembrou as duas tentativas de feminicídio que sofreu e a longa batalha de quase 20 anos para levar seu agressor à justiça.

Ela relatou: “Na madrugada de 29 de março de 1983, fui vítima de tiros que me deixaram tetraplégica. Minha vida mudou completamente desde então.”

Maria da Penha também mencionou que sua história foi alvo de fake news, o que a levou a enfrentar depressão e medo de sair de casa, mas que continua firme na luta pela defesa das mulheres. Ela ressaltou que sua história não é apenas pessoal, mas um símbolo para que nenhuma mulher passe pelo que ela enfrentou.

Este ano, a Lei Maria da Penha completa 20 anos, tendo conquistado avanços significativos. Ainda assim, Maria da Penha apontou a necessidade de melhorias, como a aplicação da lei em todos os municípios, formação continuada para a rede de atendimento, educação preventiva nas escolas e combate à desinformação.

Ela destacou a educação como instrumento fundamental para combater preconceitos e a cultura de violência contra as mulheres. “A Lei Maria da Penha não conta só a minha história; ela serve para proteger todas as mulheres”.

Após sua fala, Maria da Penha recebeu uma homenagem que contou com a presença de Rose Rainha, Margarete Coelho, Diná Ferraz, Adélia Bonfim e Gisele Ferreira. Ela ganhou três buquês e uma pelúcia, mascote do Sebrae-DF.

O poeta Tião Simpatia também participou com uma apresentação em estilo cordel, explicando que a lei serve para responsabilizar agressores, reforçando a importância da lei.

Segurança para as mulheres

Na programação da manhã, houve o painel “Segurança Pública e Proteção às Mulheres”, com a presença da comandante-geral da Polícia Militar, Ana Paula Habka, do secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, e da cofundadora do Instituto Maria da Penha, Conceição de Maria.

O foco do debate foi a segurança da mulher no DF, especialmente das mulheres empreendedoras. Ana Paula Habka destacou que autonomia econômica e segurança andam juntas: “Quando a mulher gera sua própria renda, ela ganha voz e conquista autonomia, e a Polícia Militar precisa estar próxima a essas mulheres”.

A Polícia Militar tem investido em atendimento humanizado para vítimas de violência, capacitando milhares de policiais presencialmente e remotamente. O canal ‘Copom Mulher’ (190) oferece atendimento especializado e sensível para essas situações.

Ana Paula Habka ressaltou a importância de um atendimento que gera confiança e prepara a polícia para um serviço mais cidadão e humanizado.

Conceição de Maria afirmou que a educação é essencial para combater a cultura do machismo e da violência. O Instituto Maria da Penha tem foco pedagógico para enfrentar esses problemas. Ela destacou a importância da família e da sociedade, reforçando que o Estado não pode falhar nesse contexto.

Participação das mulheres

Entre as participantes, a doula Natali Ferreira, de 41 anos, cadeirante, elogiou a acessibilidade do evento, que garante a plena participação das mulheres. Ela atua na formação de doulas pelo Instituto Matriusca e mantém parceria com o Sebrae em projetos de capacitação. Sobre segurança, afirmou: “Para que a mulher tenha sucesso como empreendedora, ela precisa estar segura.”

A artesã Jaqueline da Silva Batista, 48 anos, presente desde o início, destacou que o evento é uma oportunidade para aprimorar técnicas, trocar experiências e aumentar a visibilidade de seu trabalho. Para ela, ações assim fortalecem o empreendedorismo feminino ao oferecer qualificação e networking.

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