Nathalia Garcia e Marcos Hermanson
FOLHAPRESS
Márcio Elias Rosa, atualmente secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), deve assumir o ministério após a saída de Geraldo Alckmin, segundo fontes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Alckmin anunciou que deixará o ministério em 4 de abril para se dedicar à campanha eleitoral. Apesar de não ter confirmado qual cargo pretende disputar, seu partido, o PSB, tenta mantê-lo na chapa do presidente Lula. Pela legislação eleitoral, ele pode seguir como vice-presidente, mas precisa deixar o ministério.
Ainda não foi decidido quem substituirá Márcio Elias Rosa como secretário-executivo, mas a tendência é que seja alguém do próprio ministério.
Na gestão de Alckmin, o ministério lançou o programa Nova Indústria Brasil, que busca revitalizar a indústria nacional. O plano, anunciado em janeiro de 2024, teve críticas iniciais por falta de metas claras, o que levou o governo a estabelecer objetivos intermediários até 2026, último ano do terceiro mandato de Lula.
O programa é dividido em seis áreas principais: agroindústria, saúde, infraestrutura, digitalização, bioeconomia e defesa, prevendo investimentos de R$ 300 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou em fevereiro sua meta de financiamento para a indústria em R$ 70 bilhões.
Até o último trimestre de 2025, foram investidos R$ 588 bilhões em mais de 400 mil projetos, com maior participação nos setores de infraestrutura, agroindústria e transformação digital.
Durante sua gestão, Alckmin também atuou como principal negociador do Brasil diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Reconhecido pelo presidente Lula como um negociador calmo e experiente, ele conduziu diálogos com autoridades americanas, garantindo exceções para cerca de 43% das exportações brasileiras.
Além disso, o ministério conquistou avanços na política comercial internacional, incluindo a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, e acordos com a EFTA e Singapura, além de retomar negociações com Canadá e Emirados Árabes Unidos.
Entretanto, o mandato de Alckmin também enfrentou desafios, especialmente relacionados à guerra entre montadoras por incentivos à fabricação de veículos elétricos e híbridos no Brasil. A pressão para equilibrar interesses de montadoras tradicionais e chinesas resultou em um cronograma de aumento tarifário para carros importados destas categorias.
Outra controvérsia recente foi a elevação de impostos sobre produtos de informática, como celulares e máquinas, medida que após críticas sofreu recuo em alguns itens. Para muitos no governo, aumentar impostos sobre celulares em ano eleitoral foi um erro.
