Ex-secretária de Justiça e Cidadania disputa uma vaga de deputada distrital pelo MDB e tenta transformar anos de atuação no GDF, programas sociais e apoio de lideranças políticas em votos
Depois de seis anos à frente da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus), Marcela Passamani chega às eleições de 2026 tentando conquistar seu primeiro mandato eletivo. Advogada e arquiteta, ela disputa uma das 24 cadeiras da Câmara Legislativa pelo MDB, com o número 15555.
Sua principal credencial eleitoral é a experiência no Executivo. Marcela comandou a Sejus desde 2020, com uma interrupção durante o período eleitoral de 2022, e deixou definitivamente o cargo em março deste ano para entrar na disputa pela CLDF.
Programas sociais deram projeção à gestão
À frente da Sejus, Marcela ganhou visibilidade principalmente por iniciativas de atendimento direto à população.
Entre elas está o GDF Mais Perto do Cidadão, ação itinerante que leva serviços públicos para diferentes regiões administrativas. Também fazem parte de sua trajetória programas voltados à proteção de mulheres, idosos, crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.
Outro destaque é o Direito Delas, criado para oferecer atendimento social, psicológico e jurídico às vítimas de violência e seus familiares. O programa mantém núcleos espalhados pelo Distrito Federal e passou a contar também com parceria do Ministério Público do DF.
Durante a pandemia, Marcela também esteve ligada à ação Hotelaria Solidária, que hospedou temporariamente 300 idosos em situação de vulnerabilidade e recebeu reconhecimento no World Responsible Tourism Awards de 2020.
É justamente esse histórico que sua campanha tenta converter em voto: apresentar uma candidata que já participou da execução de políticas públicas antes de buscar uma cadeira no Legislativo.
Apoios colocam Marcela no centro da articulação governista
Marcela também inicia a campanha cercada por algumas das principais lideranças da atual coalizão de centro-direita e direita do Distrito Federal.
No lançamento de sua candidatura neste domingo, 16 de agosto, estiveram juntas Celina Leão, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves. O evento ocorreu no primeiro dia oficial de campanha.
Há ainda uma conexão direta com a chapa majoritária. Marcela é casada com Gustavo Rocha, candidato a vice-governador na chapa de Celina Leão. Os dois deixaram cargos no GDF em março para disputar as eleições.
Politicamente, essa proximidade representa um ativo importante porque oferece estrutura, alianças e exposição. Por outro lado, também vincula fortemente sua candidatura à avaliação do grupo que administra o Distrito Federal — o que pode trazer tanto votos quanto desgaste, dependendo do humor do eleitorado durante a campanha.
Episódio de 2022 gerou questionamentos
A trajetória política de Marcela também teve momentos de desgaste.
Em 2022, quando preparava uma candidatura a deputada federal pelo PL, uma reportagem do DF1, da TV Globo, mostrou mulheres usando camisas da empresa Praxis enquanto distribuíam material relacionado à então pré-candidata. Segundo a reportagem, a empresa tinha relação contratual com o GDF e receberia R$ 45 milhões naquele ano pelo programa Renova-DF.
O episódio levantou questionamentos sobre a aproximação entre uma movimentação eleitoral e trabalhadores ligados a uma empresa contratada pelo poder público. Na ocasião, Marcela afirmou à reportagem que o material apresentava realizações de sua passagem pela Secretaria de Justiça e Cidadania.
Nas fontes públicas consultadas para esta matéria, não foi localizada decisão judicial responsabilizando Marcela por irregularidade relacionada ao episódio.
Pouco tempo depois, ela desistiu da candidatura a deputada federal. O R7 informou à época que a decisão teria relação com dificuldades na distribuição do fundo eleitoral do PL. Marcela permaneceu na campanha pela reeleição de Ibaneis Rocha e posteriormente retornou ao MDB e ao comando da Sejus.
O episódio de 2022 também evidencia um dos desafios que ela terá de superar agora: esta será a primeira eleição em que efetivamente tentará transformar sua projeção administrativa em uma votação própria até o fim da disputa.
Quais são as chances de Marcela Passamani?
Sem pesquisas confiáveis específicas para a eleição proporcional da CLDF, não é possível atribuir um percentual de chance de vitória.
Mas Marcela reúne ativos importantes.
Ela comandou por anos uma secretaria com presença direta nas regiões administrativas, possui programas associados ao próprio nome e inicia a campanha apoiada por lideranças com grande exposição no Distrito Federal.
O MDB também apresenta uma nominata forte, com nomes que já possuem mandato e base eleitoral consolidada. Isso ajuda o partido na disputa pelo quociente eleitoral, mas também aumenta a competição interna pelas cadeiras conquistadas.
Seu principal desafio será provar que visibilidade de gestão se transforma em voto individual.
A proximidade com Celina Leão, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares pode ampliar seu alcance junto ao eleitorado de centro-direita e conservador. Ao mesmo tempo, sua forte identificação com o grupo governista faz com que parte da avaliação do atual governo também possa repercutir sobre sua candidatura.
Com experiência administrativa, programas sociais de grande alcance e uma rede política relevante, Marcela Passamani entra em 2026 como uma candidatura competitiva e um dos nomes novos a serem observados na disputa pela Câmara Legislativa.
