A coluna Na Mira teve acesso a imagens exclusivas que mostram a mansão onde Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como “Jiraiya”, foi preso na quarta-feira (12/8), no Paraguai. Considerado um dos maiores traficantes de anabolizantes e medicamentos proibidos do país, ele é suspeito de comandar um esquema clandestino que rendia cerca de R$ 500 mil por mês.
O vídeo divulgado mostra policiais entrando na residência para busca de envolvidos. Na operação, veículos de luxo como Porsche, Audi e Mercedes foram apreendidos.
Roberto Carlos liderava a organização sem participar diretamente da fabricação dos produtos. A investigação revelou que havia laboratórios clandestinos em São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Foz do Iguaçu (PR) e Paraguai.
Conhecido como o “mafioso das bombas”, Jiraiya evitava ficar muito tempo em um único lugar. Para dificultar a ação da polícia, ele alugava mansões de alto padrão em diferentes estados para instalar os laboratórios.
Funcionários eram responsáveis pela produção, e a logística de entrega era feita por motoboys e serviços de delivery, mantendo Jiraiya longe da fabricação e distribuição.
A ostentação fazia parte da rotina do investigado, que frequentava hotéis de luxo no Chile e mantinha um bunker em Ciudad del Este, Paraguai, usado para ajudar no esquema criminoso.
O bloqueio judicial determinado pela Justiça chegou a R$ 5 milhões. Roberto Carlos foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na quarta-feira (12/8).
Operação Narciso e desarticulação do esquema
A operação conduzida pela PCDF desmantelou a estrutura que conectava insumos importados da Ásia a ampolas irregulares vendidas no mercado nacional.
A organização usava redes sociais e fachadas comerciais para distribuir os produtos de forma massiva. A marca principal, New Science, patrocinava atletas e profissionais que indicavam os anabolizantes mediante pagamento.
As encomendas eram feitas pelo Instagram, e a matéria-prima vinha da Índia, China e Paraguai, muitas vezes escondida em peças de motocicletas para escapar da fiscalização.
Para economizar, os insumos eram manipulados sem higiene, misturados a óleos comuns, o que causava reações graves em usuários, como alergias, abscessos, tromboses e até mortes.
Impacto policial e cumprimento de mandados
A operação cumpriu mandados em oito estados e no Distrito Federal, resultando em diversas prisões, apreensões e bloqueios financeiros. Foram 43 mandados de prisão, 64 de busca, o bloqueio de R$ 32 milhões, lacração de estabelecimentos, apreensão de veículos de luxo e derrubada de sites ilegais.
Divisão de funções na organização
A investigação revelou que Roberto Carlos atuava como chefe do esquema, enquanto André Luiz de Amorim Junqueira cuidava da produção dos anabolizantes e lavagem de dinheiro. Na distribuição e marketing, a influenciadora Ana Luiza e o ex-marido Alam Manoel viabilizavam as vendas, usando um restaurante japonês em Ceilândia como ponto de entrega.
No setor estético, o biomédico Eduardo Euzébio, conhecido como “Gigante da Estética”, aplicava as substâncias clandestinas em clientes na Asa Norte.
A cadeia de suprimentos era coordenada por Elisangela Acosta e Jorge Luiz Roa, fornecedores que enviavam a matéria-prima escondida em peças mecânicas, com ajuda de doleiros e laranjas.
A operação acabou com o faturamento milionário de Jiraiya e interrompeu a produção clandestina que colocava em risco a vida dos consumidores.
