Milhares de manifestantes ocuparam hoje áreas próximas ao Congresso argentino, em Buenos Aires, para protestar contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.
A mobilização foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e envolveu centrais sindicais, organizações sociais, movimentos de esquerda e setores do peronismo. Relatos indicam confrontos entre manifestantes e as forças de segurança nas imediações do Parlamento. As forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de água para dispersar os manifestantes, enquanto alguns protestantes responderam com o arremesso de objetos e uso de coquetéis molotov.
A concentração começou na Plaza de los Dos Congresos, em frente ao Parlamento, e a presença de manifestantes aumentou com o passar do dia, bloqueando vias próximas. No fim da tarde, os confrontos se intensificaram, e a polícia avançou para desbloquear as ruas, enfrentando barricadas formadas por grupos radicais.
O Ministério da Segurança identificou pelo menos dez pessoas que podem responder judicialmente pelos incidentes. A ministra Alejandra Monteoliva prometeu medidas contra os responsáveis pelos ataques.
O Congresso está protegido por um esquema de segurança que envolve Polícia Federal, Gendarmaria Nacional, Prefeitura Naval e Polícia da Cidade, com ruas ao redor bloqueadas durante grande parte do dia.
Reforma trabalhista em debate
A sessão no Senado começou pouco depois das 11h e deve durar até a noite. O governo Milei busca aprovar a reforma trabalhista, que será votada em geral e em 26 sessões específicas, cada uma referente a um título do projeto. A vice-presidente Victoria Villarruel preside a sessão.
O partido governista La Libertad Avanza (LLA) conta com o apoio de 38 senadores, com a oposição peronista ausente na abertura dos trabalhos. A reforma altera o cálculo das indenizações por demissão sem justa causa, excluindo 13º salário, férias e bônus da base, o que pode reduzir o valor a ser pago ao trabalhador. Também se cria o Fundo de Assistência Laboral (FAL), financiado por contribuições patronais para custear indenizações.
Críticos afirmam que a proposta pode facilitar demissões, enquanto o governo argumenta que traz previsibilidade e reduz litígios judiciais. Além disso, o texto redefine regras sobre acordos coletivos, licenças médicas e revoga estatutos profissionais, incluindo partes do estatuto do jornalista. Se aprovada, seguirá para a Câmara dos Deputados.
