Nossa rede

Mundo

Manifestantes se mobilizam no Sudão contra generais

Publicado

dia

Depois de retirar o presidente Omar al-Bashir, os militares enfrentam protestos apesar da promessa de um governo transitório

Sudão: Al-Bashir estava no poder desde 1989 (Ala Kheir//Getty Images)

Após aderrubada do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, uma multidão de manifestantes continuava, neste sexta-feira, a protestar em Cartum, mas, agora, contra os generais da junta no poder, que tentam acalmar os ânimos prometendo “um governo civil”.

Os principais chefes do Exército, no poder depois de terem derrubado o presidente na quinta-feira, confirmaram nesta sexta que Al-Bashir está preso, mas não será “entregue ao estrangeiro”.

Em 2009, o Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia emitiu um mandado de prisão contra Omar al-Bashir por “crimes de guerra” e “crimes contra a humanidade” em Darfur. Em 2010, o tribunal acrescentou a acusação de “genocídio”.

Esta manhã, durante uma conferência televisionada, o general Omar Zinelabidine tentou acalmar os manifestantes que violaram o toque de recolher imposto das 20h00 às 02h00 para expressar sua oposição a uma transição militar.

Na quinta-feira, o ministro da Defesa, Awad Ibn Ouf, anunciou o estabelecimento por dois anos de um “conselho militar de transição”, do qual assumiu a liderança.

O futuro governo será “um governo civil”, disse Zinelabidine nesta sexta – apresentado como chefe do comitê político do conselho militar -, prometendo um diálogo entre o Exército “e as entidades políticas”.

No entanto, ele indicou que o ministro da Defesa será membro do Exército e que os militares “participarão da nomeação do ministro do Interior”.

Os manifestantes, que acampam há sete dias em frente ao quartel-general do Exército, passaram a noite no mesmo local. “É o nosso lugar. Vamos continuar até que a vitória seja alcançada, até conseguirmos um governo de transição”, disse Abu Obeida, um manifestante.

“Estou impressionado com o que todos esses jovens estão fazendo aqui”, disse Husein Mohamed, um idoso que disse ter vindo de Omdourman, perto de Cartum.

Muitos soldados confraternizavam com os manifestantes.

Integrar os civis

Após o anúncio da destituição de Al-Bashir, no poder desde um golpe de Estado em 1989, a multidão comemorou nas ruas.

Mas esse entusiasmo durou pouco e os manifestantes pediram para continuar o protesto, que teve início com a decisão do governo em 19 de dezembro de triplicar o preço do pão em plena crise econômica.

“As pessoas não querem um conselho militar de transição”, mas “um conselho civil”, declarou na quinta-feira Alaa Salah, uma estudante que se transformou e, “ícone” do movimento.

Uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre o Sudão está sendo realizada a portas fechadas, a pedido de seis capitais, incluindo Washington, Paris e Londres.

Os militares serão “garantidores de um governo civil”, reiterou o embaixador do Sudão na ONU.

Os Estados Unidos, que sempre designaram o Sudão como um dos seus piores inimigos, pediram “uma participação de civis no governo” e celebraram um “momento histórico”.

No Sudão do Sul, que conquistou a independência em 2011 após 22 anos de conflito, Riek Machar, líder rebelde oposto ao poder, disse que espera que a destituição de Al-Bashir não afete o processo de paz em curso no seu país, em guerra civil desde 2013.

Al-Bashir tentou reprimir os protestos pela força antes de estabelecer em 22 de fevereiro o estado de emergência em todo o país, conseguindo enfraquecer a mobilização até o último sábado. De acordo com um balanço oficial, 49 pessoas morreram desde 19 de dezembro.

O espaço aéreo do Sudão foi fechado na quinta-feira por 24 horas, e as fronteiras terrestres até nova ordem.

Um cessar-fogo foi anunciado em todo o país, especialmente em Darfur (oeste), onde um conflito causou mais de 300.000 mortes desde 2003, segundo a ONU.

Um dos líderes rebeldes de Darfur rejeitou na quinta-feira esta “revolução palaciana” e pediu “um governo civil de transição”.

Comentário

Mundo

Holanda julgará quatro pessoas por assassinato pela derrubada do voo MH17

Publicado

dia

Investigadores identificaram como suspeitos três russos e um ucraniano pela derrubada do avião da Malaysia Airlines, em 2014

Os promotores da Holanda devem indiciar quatro pessoas por assassinato no caso da derrubada, com um míssil russo, do voo MH17, da Malaysia Airlines, na Ucrânia em 2014 e o julgamento começará em março de 2020, anunciaram nesta quarta-feira (17) as famílias das vítimas.

“Um julgamento começará em 9 de março de 2020 contra quatro pessoas acusadas de assassinato”, afirmou à imprensa Silene Fredriksz, que perdeu um filho e sua nora na tragédia, pouco depois de um encontro das famílias das vítimas com as autoridades holandesas sobre a investigação.

Três russos e um ucraniano são suspeitos na derrubada do avião MH17

A equipe internacional que investiga a derrubada do voo MH17 anunciou nesta quarta-feira que ordens de prisão foram emitidas contra três russos e um ucraniano suspeitos de envolvimento no caso.

Os investigadores identificaram como suspeitos os russos Serguei Dubinski, Igor Girkin e Oleg Pulatov, assim como o ucraniano Leonid Karchenko. Os quatro são processados por assassinato pela Promotoria holandesa.

 

Ver mais

Mundo

Doador de sêmen é considerado pai por Justiça na Austrália

Publicado

dia

O Supremo australiano decretou que o homem, que doou o sêmen há mais de 10 anos, tem direito de visitar regularmente a criança

Austrália: o homem identificado como Robert, doou sêmen para uma amiga lésbica em 2006 (FatCamera/Getty Images)

Um homem que há mais de 10 anos doou sêmen para uma amiga lésbica tem direitos parentais sobre a filha gerada pela mulher, decidiu nesta quarta-feira a Suprema Corte da Austrália.

O tribunal destacou que o homem figura na certidão de nascimento da menina e se manteve “extremamente próximo” da filha, o que lhe dá o direito de se manifestar sobre a possibilidade de que ela vá morar na Nova Zelândia.

O homem, identificado apenas como “Robert” nos documentos legais, concordou em doar seu esperma a uma amiga em 2006 para uma inseminação artificial.

Segundo o tribunal, apesar de não viver junto, “Robert” tem um “papel central no suporte financeiro da menina, em sua educação e no seu bem-estar em geral”.

Os problemas surgiram quando a mãe da menina e sua companheira decidiram se mudar para a Nova Zelândia, em 2015.

A juíza Margaret Cleary decretou que um tribunal inferior se enganou ao decidir contra a paternidade, e determinou que a menina permaneça na Austrália para que “Robert” tenha direito a visitas regulares.

Ver mais

Mundo

Egito acusa ONU de querer “politizar” morte de Mursi

Publicado

dia

Ex-presidente egípcio Mohamed Mursi desmaiou e faleceu pouco depois após sair de audiência no tribunal

Mohamed Mursi: Ex-presidente egípcio morreu após mal súbido (Mark Wilson/AFP)

O governo do Egito acusou nesta quarta-feira a ONU de querer “politizar” a morte de Mohamed Mursi, uma reação ao pedido do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos por uma investigação “minuciosa e independente” sobre o falecimento, na segunda-feira, do ex-presidente islamita.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Ahmed Hafez, criticou em um comunicado o pedido da ONU após a morte do ex-presidente, que faleceu quando estava no tribunal. Ele afirmou que esta é uma “tentativa deliberada de politizar um caso de morte natural”.

“Qualquer morte súbita na prisão deve ser acompanhada por uma investigação rápida, imparcial, minuciosa e transparente, realizada por um órgão independente para revelar a causa da morte”, afirmou na terça-feira Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos.

Mohamed Mursi ficou preso durante quase seis anos e permaneceu em isolamento. Na segunda-feira, quando estava no tribunal, desmaiou e faleceu pouco depois.

 

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade