JULIANA ARREGUY e GUSTAVO ZEITEL
São Paulo, SP (Folhapress)
No ato a favor de Jair Bolsonaro (PL) que ocorreu no domingo (29) na avenida Paulista, o pastor Silas Malafaia direcionou duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, responsável por relatar o processo da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal).
Malafaia classificou Moraes como ditador e acusou o ministro de ter sangue nas mãos. Durante seu discurso, ele também questionou a veracidade da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.
Nas últimas semanas, o pastor vem manifestando sua insatisfação com Moraes e o STF por não anularem o acordo feito por Cid. Baseando-se em uma reportagem da revista Veja, que afirma que Cid criou uma conta falsa no Instagram para detalhar sua delação a outros envolvidos.
Moraes é frequentemente chamado por Malafaia de “ditador da toga”. Após a prisão e soltura de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo no governo Bolsonaro, em 13 de junho deste ano, o pastor gravou vídeo acusando Moraes de ordenar a prisão para desviar a atenção da reportagem sobre as conversas de Cid no Instagram.
“Por que Alexandre de Moraes ordena prender o coronel Mauro Cid e depois cancela? Ele percebeu que prendendo Cid, a delação perderia validade, e com isso toda a acusação do procurador-geral da República Paulo Gonet perderia força, baseada na delação de Cid, que ele chama de falsa”, afirmou o pastor no alto do palanque.
“Prenderam Gilson Machado para criar cortina de fumaça em torno da reportagem da Veja. Gilson é empresário e sofreu restrição, o que é injusto. Até quando o STF irá sustentar o ditador Alexandre de Moraes?”
No ataque ao STF, Malafaia mencionou o caso do empresário baiano Clériston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que invadiu o Congresso em 8 de janeiro. Acusado de diversos crimes, Clezão faleceu em novembro de 2023 na Penitenciária da Papuda, Brasília. “Moraes tem sangue nas mãos, ele terá que prestar contas a Deus. Clezão fazia parte da minha igreja”, comentou.
Malafaia criticou também a decisão do STF que determina que as grandes empresas de tecnologia deverão remover conteúdos sem ordem judicial, o que segundo ele, é uma forma de censura.
“O STF agora faz as plataformas decidirem o que é legal ou ilegal, especialmente sobre o que seria uma ameaça às eleições. Isso é subjetivo demais para ser definido por essas empresas”.
Ele tem organizado manifestações em defesa de Bolsonaro e da direita na avenida Paulista, sempre com críticas intensas a Moraes e ao STF. No evento de abril, chamou Moraes de cínico e manipulador, além de criticar o alto comando do Exército por não apoiar Bolsonaro no processo da trama golpista.
“Onde estão esses generais de quatro estrelas? São covardes e omissos que não honram a farda. Isso não é para dar golpe, mas para posicionar-se”, declarou.
Em fevereiro do ano passado, Malafaia se expressou com um tom mais moderado, ainda que crítico, e afirmou que Bolsonaro é o político mais perseguido na história do país.

