Todos os anos, a campanha “Março Azul” busca informar a população sobre o câncer no intestino, também conhecido como câncer colorretal. Essa doença pode ser evitada, mas exige atenção. Para 2026, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que mais de 53 mil pessoas no Brasil serão afetadas por essa condição.
O câncer colorretal é o terceiro tipo de tumor mais comum e a segunda maior causa de mortes por câncer no mundo. A dificuldade está em que, no começo, a doença não apresenta sintomas claros. Porém, alguns sinais podem aparecer, como sangue nas fezes, dores e desconfortos abdominais, dor ao evacuar, mudanças nos hábitos intestinais, falta de apetite, anemia e perda de peso sem motivo aparente.
Gustavo Ribas, chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer (Asccan) da Secretaria de Saúde (SES-DF), destaca que adotar hábitos saudáveis pode reduzir muito o risco de morte pela doença. Segundo ele, ações simples ajudam, como ter uma alimentação equilibrada e rica em fibras, manter o peso adequado, praticar exercícios físicos, evitar carnes processadas, álcool e tabaco. Além disso, é fundamental consultar o médico regularmente, especialmente após os 45 anos.
Ribas reforça que o atendimento inicial deve ser feito nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A primeira consulta pode incluir exames para detectar o câncer, como o exame de sangue oculto nas fezes. Caso o resultado seja positivo, o paciente é encaminhado para exames mais detalhados, como a colonoscopia.
Em 2025, a SES-DF realizou 4.414 exames de sangue oculto nas fezes, um aumento significativo em comparação com 2024 e 2023, demonstrando maior atenção na detecção precoce da doença.
Grupos com maior risco
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver câncer colorretal: ter mais de 45 anos, ser sedentário, excesso de peso, consumo abusivo de álcool, uso de tabaco e alimentação inadequada, com pouca fibra e muita carne processada (como salsicha, bacon e presunto). Comer muita carne vermelha, acima de 500 gramas por semana, também eleva o risco.
Pessoas com histórico familiar de câncer na região intestinal, ou que tenham doenças inflamatórias do intestino por mais de dez anos, como retocolite ulcerativa crônica e Doença de Crohn, também são mais vulneráveis. Doenças hereditárias como Polipose Adenomatosa Familiar (FAP) e Câncer Colorretal Hereditário Sem Polipose (HNPCC) aumentam as chances de desenvolver a doença.
Além disso, a exposição a radiações ionizantes no trabalho, comum em profissões que envolvem raios-X e outras radiações, exige cuidados extras e exames regulares para prevenir o câncer colorretal.

