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Saúde

Mais de 15 milhões vivem com doenças reumáticas no Brasil

Milhões de brasileiros enfrentam diariamente dores contínuas, limitações no corpo e a falta de compreensão de quem está ao seu redor por causa de doenças reumáticas. Maria de Fátima Araújo dos Santos, de 71 anos, que foi diagnosticada com osteopenia — uma condição que diminui a densidade dos ossos — conta: “Viver com dor é muito difícil, não desejo isso nem para meu pior inimigo. A dor tira as forças e a vontade de viver”.

A equipe de Reumatologia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) acompanha casos como o de Maria de Fátima, representando uma realidade que afeta mais de 15 milhões de pessoas no país, conforme dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). No Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático, celebrado em 30 de junho, especialistas destacam a importância de um diagnóstico correto e tratamento adequado para essas doenças que podem prejudicar não só as articulações e músculos, mas também ossos e outros órgãos.

As doenças reumáticas mais comuns incluem osteoartrite (também chamada de artrose), gota, tendinite, bursite, artrite reumatoide e lúpus. O serviço de Reumatologia do Hospital de Base realiza, em média, mais de mil atendimentos mensais.

De acordo com o chefe do serviço, Roberto Rodrigues, o impacto dessas doenças vai além das limitações físicas, afetando também a vida social e profissional dos pacientes.

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“O maior desafio para quem vive com essas doenças é conviver com a dor constante. É preciso superar as dificuldades causadas pela dor, seja com remédios ou fisioterapia, além de lidar com a falta de compreensão de familiares e colegas de trabalho”, explica Roberto Rodrigues.

Maria de Fátima enfrenta ainda a dificuldade de fazer os outros entenderem seu sofrimento, pois a falta de sinais visíveis faz com que as pessoas duvidem da intensidade da dor. “Ninguém vê o que você está sentindo, por isso muitos não entendem. Tem gente que pensa que estamos inventando ou nos fazendo de vítima. Isso me deixa muito triste”, revela.

Diagnóstico demorado e importante

Identificar doenças reumáticas nem sempre é simples. Os sintomas podem variar e se parecer com outras condições, tornando essencial uma avaliação médica cuidadosa para encontrar a causa da dor e definir o tratamento correto.

Aos 16 anos, Kethelen Pereira Neyre de Sousa começou a sentir inchaços e dores pelo corpo. Depois de várias internações e consultas, recebeu o diagnóstico de lúpus, uma doença autoimune que afeta diferentes órgãos e sistemas do corpo.

“Passei mais de um mês internada sem saber o que estava acontecendo. Mesmo tomando remédios, ainda acordo com muita dor, enjoo e cansaço em alguns dias”, conta Kethelen.

A convivência com o lúpus mostrou para Kethelen a importância de compartilhar experiências entre pacientes. Para ela, dividir as dificuldades ajuda a combater o isolamento e o desconhecimento sobre a doença.

“Cada pessoa sente e enfrenta a doença de um jeito diferente, mas é essencial saber que não estamos sozinhos”, destaca.

Quem sente sintomas persistentes deve buscar atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Após esta avaliação, o profissional pode encaminhar para o atendimento especializado em hospitais como o Hospital de Base do Distrito Federal.

Com informações da Sedes-DF

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