Mais da metade (54%) das pessoas que utilizam ferramentas de inteligência artificial no Brasil diz usá-las para receber apoio emocional ou conselhos, conforme uma pesquisa recente do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade e Informação).
O levantamento ouviu 2.500 usuários de internet com mais de 16 anos em todo o país, buscando refletir a diversidade da população usuária. Embora o uso profissional e acadêmico da IA seja predominante, não é incomum que as pessoas recorram a essas ferramentas para conversar sobre sentimentos e obter companhia.
Segundo a pesquisa, 73% dos usuários compartilham informações relacionadas ao trabalho ou estudo, 58% falam sobre preferências pessoais como filmes e músicas, e 54% discutem sentimentos e emoções. Além disso, 52% fornecem dados de saúde, como sintomas e exames, enquanto 50% enviam fotos próprias ou de conhecidos.
Dados financeiros, como orçamentos e investimentos, são compartilhados por 41%, e informações pessoais, como nome, endereço e documentos, por 37%. Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, destaca que o uso crescente da IA traz desafios para a privacidade e a proteção dos dados pessoais dos usuários.
A preocupação com o uso dessas informações é manifestada por 66% dos entrevistados, que estão muito ou bastante preocupados com o tema. Outros 22% dizem estar pouco preocupados, e 11% não se preocupam.
A pesquisa também revelou que 32% dos usuários já enfrentaram tentativas de golpes envolvendo seus dados pessoais, o que equivale a cerca de 45 milhões de pessoas. Destas, 20% afirmaram ter sido vítimas efetivas desses crimes.
As tentativas de golpes ocorrem por vários meios, incluindo aplicativos de mensagens (84%), ligações telefônicas (79%), sites falsos (71%), SMS (71%), e-mails (69%) e redes sociais (67%). Alexandre Barbosa reforça a necessidade de ações de prevenção, conscientização e políticas de segurança para proteger os dados pessoais dos usuários no ambiente digital.
