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quinta-feira, 22/01/2026

maioria no STF para barrar aborto após 22 semanas, diz conselheiro do CFM

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ANGELA BOLDRINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O médico Raphael Câmara contou que o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem conversado com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja votada a regra que impede o aborto por morte fetal após 22 semanas de gestação.

Essa norma, criada por Raphael Câmara e publicada em 2024, foi logo suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Ela proíbe médicos de realizar o procedimento, apesar de ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

“Acreditamos que há maioria de 6 a 5 para reverter a suspensão da regra”, afirmou Câmara.

Raphael Câmara, que foi secretário nacional de Atenção Primária durante o governo Bolsonaro, é contra o aborto após 22 semanas de gravidez.

Na entrevista, ele explicou que não há dificuldades para abortos legais atuais, mas acredita que médicos devem incentivar as mulheres a continuar a gravidez, citando um caso em Santa Catarina onde uma juíza perguntou a uma menina de 10 anos se ela poderia esperar um pouco mais.

“Se a gestante suportou 22 semanas, pode aguardar mais duas ou três semanas para o desenvolvimento do pulmão do bebê”, disse Câmara.

Ele também explicou que o Código Penal, de 1940, não prevê normas atuais sobre idade gestacional porque a tecnologia e a realidade médica mudaram muito desde então.

Câmara destacou que o CFM é responsável por definir práticas médicas éticas e que considera o procedimento de aborto por morte fetal antiético e proibido.

Ele espera que o STF vote essa questão, e caso não seja pauta no tribunal, acredita que o tema será discutido no Congresso. Ele expressou preocupação com leis mais rígidas que possam punir mulheres com longas penas de prisão.

Raphael Câmara ressaltou que a alternativa ao aborto, mesmo em casos de gravidez avançada, é aguardar a maturação do bebê, podendo usar medicação para ajudar no desenvolvimento pulmonar, e depois considerar a adoção, que tem muitas pessoas interessadas.

Em relação aos riscos de prematuridade, ele afirmou que quanto mais velho o bebê, menores as chances de sequelas graves e que dar uma chance à vida é importante, mesmo que alguns defendam o aborto como opção.

Ele ainda explicou que profissionais não precisam realizar procedimentos contra suas convicções, mas que é responsabilidade da gestão pública garantir o atendimento em outros estabelecimentos, caso necessário.

Por fim, Câmara reforçou que não apoia aborto após 22 semanas e que quem quiser recorrer a esse tipo de aborto deve procurar outros países onde isso seja permitido.

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