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quinta-feira, 29/01/2026

Mãe pede parque inclusivo no Taguaparque

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Em Brasília

Larissa Barros

Nem todas as crianças no Distrito Federal têm o mesmo direito de brincar. Em Taguatinga, uma mãe se mexeu depois de ver seu filho ser deixado de lado no Taguaparque. Ela criou um abaixo-assinado para pedir a construção de um parque infantil que seja acessível para todas as crianças, principalmente para aquelas com dificuldades diferentes, e trouxe à tona a discussão sobre a falta de acessibilidade e obras paradas na capital.

A ideia veio da analista Nayara Eleutério, mãe do Isaac Eleutério, que tem autismo e não fala. Segundo ela, o Distrito Federal ainda precisa de mais lugares públicos planejados para crianças com dificuldades de mobilidade ou outras limitações. “Quando falam em inclusão para crianças como meu filho, isso ainda é só teoria. Na vida real, somos deixados de fora”, conta.

Essa exclusão ficou clara numa experiência vivida por ela no próprio Taguaparque. Ao levar o filho para brincar, Nayara viu que ele acabou ficando sozinho porque o parque não tem equipamentos adequados. A frustração que sentiu foi o que a levou a criar o abaixo-assinado. Muitas famílias acabam nem indo a esses lugares de lazer porque eles não têm estrutura, o que aumenta o isolamento silencioso.

O problema piora porque já havia um projeto para um espaço inclusivo no parque. As obras começaram em 2022, mas foram paralisadas e o local ficou abandonado. Para Nayara, além de ser desperdício de dinheiro público, essa paralisação mostra que faltam políticas para incluir crianças com deficiência ou necessidades especiais.

Ela quer juntar pelo menos 500 assinaturas para levar o pedido oficialmente à administração de Taguatinga e ao Governo do Distrito Federal. Para muitas famílias, sair para passear é um desafio, porque muitos lugares têm barulhos e luzes que podem causar crises ou não têm acessibilidade.

“O parque é um dos poucos lugares grandes e abertos que ainda frequento com meu filho sem medo de julgamentos”, diz Nayara.

Ela também fala sobre o preconceito que cresce conforme a criança cresce. “Muita gente acha que crianças autistas são só crianças pequenas, mas isso muda. E, com o tempo, o preconceito aumenta porque a criança não se socializa como os outros”, explica.

Ela observa que crianças sem dificuldades já têm mais autonomia e, às vezes, por falta de entendimento dos adultos e da escola, podem agir de forma preconceituosa sem perceber.

Nayara reforça que incluir não é só colocar um brinquedo especial. “Se não houver informação clara de que o brinquedo foi feito para crianças com certas limitações, isso não ajuda”, esclarece.

Crianças com dificuldades geralmente não conseguem brincar de jogos em grupo como pega-pega, o que dificulta sua interação. Sem informação, outras crianças podem evitar ou dominar o espaço sem entender as diferenças.

O objetivo do parque não é separar crianças com ou sem deficiência, mas sim integrar todos. “Precisamos de adaptações para conviver juntos”, defende.

A presença de símbolos do autismo e placas que ajudam na comunicação nesses espaços mostra que a diversidade existe e merece respeito, segundo Nayara.

“Incluir não é forçar a convivência entre quem entende e quem não entende, é adaptar o ambiente para que todos possam estar juntos sem passar vergonha”, diz ela.

Nayara critica a parada da obra. “O Governo está sempre fazendo obras, mas essa ficou parada. Eu trabalho muito e não sou especialista, mas consigo ver que precisamos disso”, comenta.

Ela destaca que não deveria ser necessário um abaixo-assinado para pedir o óbvio. “O parque tem uma estrutura parada e falta brinquedo adaptado, rampas e informações sobre diversidade”, afirma.

Ela também fala da dificuldade dos adultos autistas que ficam em casa, cuidados por familiares cansados e sem condições financeiras.

Entre os pedidos, está a retomada do projeto, com participação de especialistas e ações para conscientizar quem frequenta o parque. “Queremos ao menos um cronograma claro da obra e a certeza de que fomos ouvidos”, finaliza.

Nayara ressalta que essa luta é de todos. “Cinco segundos para assinar podem mudar muitas vidas. Não é só sobre um parque, é sobre dignidade”, conclui.

A Administração de Taguatinga informou que sabe da demanda pelo parque acessível. A obra parou porque precisa ser ajustada ao plano de ocupação do parque, que é um documento que organiza como o lugar deve ser usado, para que tudo esteja de acordo com as regras ambientais e urbanas.

Após a aprovação desse plano, o projeto pode voltar a andar, pois o parque inclusivo está previsto. A administração ressaltou a importância de espaços acessíveis para lazer e convivência social de crianças com deficiência e seus familiares, e disse que está comprometida com políticas de inclusão e à disposição para esclarecimentos.

O abaixo-assinado é online, rápido e não pede CPF. A intenção é envolver a comunidade para cobrar soluções. “Essa luta é de todos. Qualquer pessoa pode precisar de compreensão algum dia”, finaliza.

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