O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou no domingo (21/12) que o país enfrenta uma “campanha de agressão”, incluindo “terrorismo psicológico” e “corsários que atacaram petroleiros” venezuelanos. Essa reação ocorre em meio a um bloqueio dos Estados Unidos contra navios petroleiros. A terceira interceptação foi reportada pelas agências de notícias neste domingo.
Maduro fez essa declaração pelas redes sociais, afirmando que a Venezuela está “pronta para acelerar o avanço da profunda Revolução”.
Ele explicou que “corsários” eram marinheiros armados autorizados por governos em tempos de guerra para atacar e saquear navios inimigos, dividindo os lucros com o Estado. Essa prática foi comum entre os séculos XV e XIX, diferenciando-se da pirataria, que é feita sem autorização estatal.
Na semana anterior, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um bloqueio para todos os petroleiros sujeitos a sanções que entram ou saem da Venezuela. Especialistas consideram essa medida um aumento da pressão contra o governo chavista.
As agências Bloomberg e Reuters informaram que a Guarda Costeira dos EUA interceptou no domingo (21) o terceiro petroleiro perto da costa venezuelana, sendo esta a segunda apreensão no fim de semana e a terceira em pouco mais de dez dias.
No sábado (20/12), o petroleiro Centuries foi apreendido, e em 10 de dezembro, o navio Skipper. O petroleiro interceptado no domingo foi identificado como Bella 1.
Essas ações fazem parte da estratégia do governo Trump para pressionar o regime de Nicolás Maduro, incluindo presença militar no mar do Caribe, sobrevoos no espaço aéreo venezuelano e ataques a embarcações.
Objetivo das interceptações é afetar a economia venezuelana e aumentar a tensão entre os dois países. Até a última atualização, o governo dos EUA não se pronunciou sobre a nova apreensão.
Segundo a Bloomberg, o Bella 1 navegava sob bandeira panamenha e seguia para a Venezuela para ser carregado. A Reuters informou que a embarcação estava em águas internacionais e que a Guarda Costeira dos EUA a perseguia.
Um oficial afirmou que o petroleiro estava sob sanções econômicas, conforme o bloqueio total anunciado por Donald Trump. No entanto, o petroleiro apreendido no sábado não constava na lista de sanções americanas.
O governo venezuelano ainda não se pronunciou oficialmente sobre a apreensão de domingo. Em ocasiões anteriores, o regime de Nicolás Maduro classificou o bloqueio como “pirataria internacional”, “ameaça absurda” e “totalmente irracional”, e afirmou que tais ações “não ficarão sem resposta”.
Novas sanções contra familiares de Maduro
O governo dos EUA anunciou novas sanções contra familiares de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. As medidas foram divulgadas na sexta-feira (19/12) pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
De acordo com Washington, os sancionados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) são acusados de apoiar o regime corrupto e desonesto de Nicolás Maduro.
No total, cinco pessoas ligadas à família da companheira de Maduro sofreram sanções. Entre eles está o sobrinho de Cilia Flores, Carlos Erik Malpica Flores, que já havia sido alvo de retaliações americanas em 11 de dezembro.
Essa medida faz parte de uma ofensiva maior dos EUA contra a Venezuela e o líder chavista, que permanece no comando do país apesar das contestações internacionais, sendo acusado de conexões com o tráfico de drogas, além de roubar petróleo dos Estados Unidos.
