SAMUEL FERNANDES
FOLHAPRESS
É comum sentir tristeza pela perda de um animal de estimação, mas sabia que esse luto pode ser até mais forte do que a dor de perder um familiar? Um estudo recente, publicado em 14 de junho, mostra que o luto por pets pode se tornar intenso e duradouro, às vezes mais até do que o luto por parentes.
Esse tipo de tristeza se chama luto prolongado e é caracterizado por um sofrimento constante e difícil de superar. O luto prolongado é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Psiquiatria, mas até agora não incluía a perda de animais.
O estudo, feito no Reino Unido e publicado na revista Plos One, pediu a 975 adultos que relatassem suas experiências de perda. Destes, 295 tinham perdido tanto parentes quanto animais. Quando perguntados sobre qual perda foi mais dolorosa, 21% disseram que a morte do pet foi mais difícil, superando até a perda de amigos ou irmãos. Apenas a morte dos pais foi apontada como mais dolorosa por mais pessoas (42%).
Entre os participantes, 84 foram diagnosticados com luto prolongado. Destes, 7,5% desenvolveram esse sofrimento após perder um animal, índice próximo ao de pessoas que perderam amigos próximos (7,8%) e irmãos (8,9%).
Maria Helena Pereira Franco, professora da PUC-SP e presidente da Associação Brasileira Multiprofissional sobre o Luto, concorda que o luto por animais deve ser mais discutido. Segundo ela, idosos que moram sozinhos e têm pets como companhia podem sofrer muito com sua perda, pois se somam à solidão e outras perdas de pessoas próximas.
A aceitação do luto é essencial para que a pessoa possa superar essa dor. Sem reconhecimento, o luto pode levar a problemas emocionais mais sérios. Por isso, a professora acha importante rever as diretrizes atuais para incluir o luto por animais.
Apesar dos pontos positivos, o estudo tem limitações, como o fato de ter sido feito apenas com pessoas do Reino Unido, o que pode influenciar a forma como o luto é sentido e vivido.
