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domingo, 15/02/2026

Lutar contra o câncer infantil: diagnóstico rápido salva vidas

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Em Brasília

O Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil, celebrado em 15 de fevereiro, destaca a importância de identificar a doença cedo para aumentar as chances de cura em crianças. No Distrito Federal, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), referência nacional em tratamento de câncer infantil, segue padrões internacionais e oferece ao Sistema Único de Saúde (SUS) tratamentos avançados.

Com mais de 14 anos de experiência, o HCB tem resultados de recuperação semelhantes aos dos melhores hospitais do mundo. Um ponto forte é a cura de 80% dos casos de leucemia linfoblástica aguda (LLA) tratados na instituição, número maior que a média de 55% da América Latina e Caribe, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Diferente do câncer em adultos, que geralmente está ligado a fatores externos, o câncer em crianças é mais raro e se origina de forma diferente, afetando menos de 0,2% dos jovens. Ainda que seja uma doença agressiva, responde bem a tratamentos modernos como quimioterapia e imunoterapia.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil pode ter cerca de 7.560 novos casos de câncer em pessoas de 0 a 19 anos entre 2026 e 2028, com uma incidência de 134,81 por milhão. O número de casos em meninos é um pouco maior, com 3.960, contra 3.600 em meninas.

Isis Magalhães, diretora técnica interina de Ensino e Pesquisa do HCB, ressalta que hospitais especializados que combinam atendimento, ensino e pesquisa ampliam as possibilidades de tratamento. O HCB, reconhecido pelo Ministério da Saúde como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia para pediatria, realiza transplantes de medula óssea e participa do Programa Aliança Amarte, em colaboração com o St. Jude Children’s Research Hospital dos EUA.

Crianças como Ravi Barros, de 4 anos, de Parauapebas (PA), chegam ao hospital através do Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Diagnosticado com LLA — que corresponde a 25% dos cânceres infantis e 75% das leucemias em crianças —, ele enfrenta longas internações. Sua mãe, Renata Suelen Barros, explica a importância do apoio entre famílias e da divulgação dos sintomas da doença.

Renata Sandoval, médica coordenadora de Genética Clínica do HCB, esclarece que a maioria dos cânceres em crianças não é hereditária, mas algumas síndromes genéticas podem aumentar o risco nas famílias. O diagnóstico precoce depende da observação cuidadosa de sintomas que parecem doenças comuns, como viroses ou anemia.

Novidades no tratamento incluem imunoterapia, que reforça as células de defesa para combater os tumores; terapias específicas que bloqueiam mutações e reduzem efeitos colaterais; e exames genéticos que ajudam a identificar o tipo de câncer e orientar o tratamento. Ricardo Camargo, coordenador do Laboratório de Pesquisa Translacional do HCB, destaca que a oncologia moderna utiliza marcadores moleculares para definir riscos e personalizar o tratamento.

Educar sobre saúde é fundamental para diminuir o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento. O HCB treina profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) com teleconsultorias e protocolos para melhorar a detecção precoce. Os especialistas recomendam que pais e cuidadores fiquem atentos a sintomas persistentes e busquem um pediatra rapidamente.

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