22.5 C
Brasília
domingo, 30/11/2025

Lula vê o congresso focado nas eleições de 2026 e enfrenta pressão do centrão por emendas e cargos

Brasília
céu limpo
22.5 ° C
22.5 °
22.3 °
68 %
1kmh
0 %
dom
31 °
seg
30 °
ter
29 °
qua
26 °
qui
19 °

Em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que a rejeição do projeto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pelo Congresso, na quarta-feira à noite, demonstra que a centro-direita tenta enfraquecer o governo para as eleições de 2026. Entretanto, há divergências dentro do governo sobre a forma de reagir.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a secretária de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendem que a Advocacia-Geral da União (AGU) recorra ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando inconstitucionalidade do projeto aprovado pelo Congresso.

Já o chefe da Casa Civil, Rui Costa, é contra, temendo que essa ação seja vista como um confronto direto com o Legislativo e que possa resultar em novas derrotas para o governo.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi quem levou o projeto para votação no plenário, em acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, surpreendendo o Planalto.

O conflito também ocorre entre Davi Alcolumbre e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sendo que o presidente do Senado deseja a demissão do ministro, pedido que não foi atendido por Lula.

Nos bastidores, Hugo Motta expressou insatisfação com Fernando Haddad para ministros, e houve desconforto por elogios do ministro ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira, interpretados como críticas indiretas.

A insatisfação no Congresso também se revela na demora do governo para liberar emendas parlamentares. Gleisi Hoffmann nega que haja uma estratégia deliberada para segurar os recursos, mostrando dados que indicam maior execução do Orçamento em 2024 que nos anos anteriores.

Recentemente, o ministro do STF Flávio Dino conduziu uma audiência sobre emendas impositivas, na qual representantes do Legislativo participaram, embora os presidentes das casas tenham se ausentado. Davi Alcolumbre acusa uma possível aliança entre o governo e o STF para bloquear emendas.

Fernando Haddad afirmou que a falta da arrecadação prevista com o aumento do IOF resultará em novo contingenciamento de gastos, que inclui o bloqueio de emendas. Enquanto isso, o líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões, comentou que o problema é a resposta reativa do governo, desconectada da classe média.

Nas redes sociais, Lula e seus ministros têm divulgado uma campanha que enquadra a tentativa de aumento do IOF como medida de justiça tributária, focando na ideia de quem tem mais pague mais.

Partidos do Centrão articulam o lançamento de uma candidatura de oposição a Lula para 2026, considerando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como possível nome para disputar esse pleito.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, enfatiza que o Congresso reage à soma de fatores e à falta de ação do governo, especialmente diante da urgência dos prefeitos por causa das emendas.

Além disso, o Senado aprovou o aumento do número de deputados de 513 para 531, o que terá repercussão nas Assembleias Legislativas estaduais.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães, ressaltou que é evidente que haverá corte de gastos, após a votação que derrubou o aumento do IOF.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, procurou amenizar a situação, afirmando que não se trata de uma crise irreversível, mas um momento passageiro.

Veja Também