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Economia

Lula vai indicar seis diretores para o Banco Central até 2027

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá nomear mais seis diretores para o Banco Central até o final de 2027. Atualmente, duas vagas estão vagas desde janeiro, e outras duas poderão ser preenchidas até fevereiro do próximo ano. Além disso, duas cadeiras ficarão disponíveis em dezembro de 2027.

Essa possível renovação no Banco Central pode alterar a composição do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável por definir a taxa básica de juros do Brasil, a Selic. Essa mudança preocupa o mercado financeiro, que teme que o banco se torne mais flexível no combate à inflação para tentar reduzir os juros mais rapidamente.

Economistas esperam que o debate sobre flexibilizar a meta de inflação, hoje em 3% com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, volte a ganhar força com a nova gestão.

A partir de 2028, os novos indicados por Lula formarão a maioria no colegiado do banco, que tem nove membros, inclusive o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Restarão apenas três diretores atuais, que terão seus mandatos finalizados no mesmo ano.

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Se os novos diretores seguirem um perfil diferente, isso pode isolar o presidente Galípolo no último ano de sua gestão. O presidente da autoridade monetária tem recebido críticas de membros do PT e da equipe econômica, que o responsabilizam pelo aumento da dívida pública devido aos juros altos.

No mandato atual, houve discordâncias no Copom que geraram dúvidas sobre a credibilidade do Banco Central. Por exemplo, em maio de 2024, Galípolo e outros diretores indicados por Lula votaram por uma queda mais rápida nos juros, mas a decisão final foi por um corte menor.

Na semana passada, Lula discutiu com ministros as nomeações pendentes para o Banco Central, incluindo duas vagas que estão sem preenchimento há quase um ano.

Rumores sobre a possível indicação do economista André Roncaglia, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), causaram impacto no mercado financeiro, embora ele tenha afirmado não ter recebido contato oficial sobre essa indicação.

Segundo especialistas, a indefinição sobre o perfil do Copom gera incertezas e volatilidade no mercado. Há preocupações sobre a escolha de diretores que possam ser menos rigorosos no controle da inflação, o que representaria um risco para a estabilidade econômica.

Analistas destacam que a nomeação de diretores comprometidos com a meta de inflação seria essencial para manter a confiança no Banco Central.

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, acredita que a instituição pode ser responsabilizada por eventuais problemas econômicos se o governo não resolver a situação fiscal e a popularidade do presidente cair. Ele alerta que o governo poderia escolher pessoas mais permissivas em relação à inflação ou até aumentar a meta de inflação, o que seria visto como uma derrota.

Por sua vez, o ex-diretor do Banco Central e professor Sérgio Werlang acredita que Lula deve optar por nomes moderados, semelhantes aos atuais diretores Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, que respeitam a meta de inflação e mantêm uma postura conservadora.

A composição da diretoria também será um teste para o governo em relação à diversidade de gênero, já que atualmente há apenas uma mulher na diretoria, a diretora Izabela Correa. Entre as candidatas para ocupar vagas está Carolina Bohrer, chefe de um departamento do Banco Central, que conta com o apoio do presidente Galípolo.

Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, é urgente que as vagas em aberto sejam preenchidas, pois a falta de diretores prejudica o funcionamento da instituição.

Rodrigo Maia, diretor do BTG Pactual, ressalta que o cenário econômico atual exige um Banco Central conservador e independente, e acredita que Lula seguirá esse caminho nas próximas nomeações.

A vaga na área de Fiscalização, que ficará vaga em março, deve ser ocupada por um servidor de carreira, segundo ex-membros do Banco Central. Pode haver recondução do atual diretor, Aílton de Aquino, apesar de dúvidas por causa de investigações relacionadas ao Banco Master, embora ele tenha o apoio dentro da autarquia.

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