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quarta-feira, 25/03/2026

Lula propõe mudanças para aliviar juros do cartão de crédito

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Em Brasília

ADRIANA FERNANDES E CATIA SEABRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está buscando formas de diminuir o custo dos juros do crédito rotativo no cartão, diante da crescente dívida das famílias brasileiras, que tem afetado sua popularidade em ano eleitoral.

Essa questão foi discutida em uma reunião recente com altos membros do governo, que analisaram os principais pontos que podem prejudicar a imagem do governo neste ano.

Ministros como Gleisi Hoffmann e Sidônio Palmeira defendem a revisão das regras que estabelecem os limites para o uso do crédito rotativo.

Foi informado ao presidente que muitas famílias terminam o mês sem dinheiro devido ao alto custo das dívidas, o que gera insatisfação, mesmo com melhorias no emprego, renda e inflação.

Segundo assessores, os aumentos de renda acabam sendo consumidos pelo pagamento das dívidas.

Dados do Banco Central indicam que as famílias destinam 29% de seus ganhos para pagar dívidas, o maior valor em 20 anos.

O crédito rotativo do cartão registra inadimplência de 63,5% e possui juros de 14,81% ao mês, acima da taxa Selic anual, que está em 14,75%.

Por lei de 2024, os juros e encargos do rotativo não podem passar de 100% do valor da dívida principal, mas isso não tem sido suficiente para resolver o problema.

O governo também avalia formas de baixar os juros do empréstimo consignado privado, usado por trabalhadores com carteira assinada, considerado caro apesar da reforma feita no ano passado.

Uma proposta em análise é limitar as taxas consideradas abusivas acima de uma média, criando um teto para os juros.

Outra medida é permitir que o saldo do FGTS seja usado como garantia para o consignado, o que pode ajudar a reduzir os juros.

Representantes financeiros acreditam que a proposta do governo para baixar juros deve passar no Congresso, especialmente em ano eleitoral, como ocorreu com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 no ano passado.

Também existe a possibilidade de revisar o limite de 8% ao mês para juros do cheque especial, definido pelo Banco Central desde 2020.

Em 2023, o governo tentou limitar os juros do cartão de crédito, mas os bancos alertaram que isso poderia cancelar 65 milhões de cartões, prejudicando o consumo das famílias, e a proposta não avançou.

Gleisi Hoffmann criticou recentemente a alta taxa do crédito rotativo, classificando-a como criminosa, comparando-a com a Selic mensal.

Especialistas da área econômica avaliam que até o momento, medidas como o programa ‘Desenrola’ para renegociação de dívidas não solucionaram os problemas estruturais do crédito.

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