JOÃO GABRIEL e NICOLA PAMPLONA
BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está finalizando um plano para diminuir o uso dos combustíveis fósseis no Brasil. Este plano destaca as oportunidades para o país, como a produção de energia renovável, mas também aponta riscos, como o desperdício de energia limpa por falta de armazenamento adequado e os impactos econômicos da indústria do petróleo, que gera muitos empregos e receitas importantes.
Os Ministérios do Meio Ambiente, Fazenda, Minas e Energia e a Casa Civil trabalham juntos para apresentar este plano nos próximos dias, que trará uma visão geral da situação energética do Brasil, mas sem detalhes específicos, metas ou o papel exato de cada setor.
Este plano é um passo importante após a conferência COP30, realizada em Belém no fim de 2025, que discutiu o fim dos combustíveis fósseis no mundo todo. O presidente Lula defendeu esse plano durante a conferência, destacando a necessidade de uma transição planejada para fontes de energia mais limpas como a solar, eólica e hidrelétrica, sem prejudicar a economia ou a geração de empregos.
O documento abordará mecanismos financeiros para apoiar essa mudança, incluindo a criação de um fundo financiado pela renda do petróleo para ajudar na transição energética. Também está prevista a formação de um grupo de trabalho entre diferentes ministérios para desenvolver um plano detalhado, com prazo de até um ano para sua conclusão.
O plano inclui o uso de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, que são produzidos principalmente da cana-de-açúcar e têm menor impacto ambiental que os combustíveis tradicionais. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais desses biocombustíveis.
Além disso, o plano considera o crescimento da energia eólica e solar no país, que são fontes mais econômicas e sustentáveis. No entanto, a energia gerada por essas fontes muitas vezes é desperdiçada porque não pode ser armazenada adequadamente. Atualmente, cerca de 20% da energia gerada nessas fontes no Brasil é perdida, o que equivale à produção da usina de Belo Monte.
Uma solução para esse problema é investir em baterias para armazenar o excesso de energia e usá-la quando for necessário, algo que ainda requer recursos e infraestrutura no país. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já liberou um financiamento para essa área.
O plano também reconhecerá que a redução do uso do petróleo pode afetar as finanças públicas locais, já que os impostos gerados pela exploração do pré-sal são usados em setores como saúde e educação e ajudam estados produtores. Isso pode levar a riscos econômicos e sociais, como desemprego, que devem ser monitorados cuidadosamente.
Finalmente, o governo deve destacar a importância de investimentos em tecnologias para a transição energética e apresentar programas existentes no Brasil que apoiam essa mudança.
