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domingo, 18/01/2026

Lula lidera recorde de concessões em infraestrutura no Brasil

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THIAGO BETHÔNICO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra o ano de 2025 com o maior número de concessões de infraestrutura já realizadas no Brasil, totalizando 50 leilões que abrangem rodovias, portos e aeroportos. Essa quantidade supera as concessionárias promovidas pelos governos de Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.

Apesar das críticas habituais da esquerda à redução da participação estatal e ao aumento da iniciativa privada, o atual governo vem impulsionando fortemente esse modelo no setor de infraestrutura.

Dados dos ministérios dos Transportes e dos Portos e Aeroportos indicam que, desde a vigência da Lei das Concessões em 1995, foram realizados 160 leilões federais para rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, com quase um terço deles concentrados entre 2023 e 2025.

Comparativamente, o governo Bolsonaro (2019-2022) realizou 45 leilões, e o governo FHC sumou 26, dos quais 22 no primeiro mandato.

Especialistas afirmam que o crescimento das concessões deve-se à necessidade de atrair investimentos diante do aperto fiscal, à atratividade dos projetos atuais e ao amadurecimento das regulações do setor.

Conforme Renan Filho, ministro dos Transportes, “O presidente entendeu que, para ampliar os investimentos, era fundamental aumentar a entrada da iniciativa privada devido às limitações fiscais”.

O setor portuário lidera esse movimento, com 26 terminais concedidos e investimentos previstos de R$ 15,5 bilhões.

Para 2026, está previsto o leilão do Tecon 10, um grande terminal de cargas no porto de Santos, com aporte estimado em R$ 6,5 bilhões.

Rodovias

O setor rodoviário representa o segundo maior volume, com 22 leilões, 13 deles em 2025, totalizando R$ 247 bilhões em investimentos. Para 2026, planeja-se licitar mais 13 rodovias.

Além disso, foram incluídos na conta atual a relicitação do aeroporto de Natal e a concessão de terminais aeroportuários regionais.

Nos últimos 30 anos, houve mudanças não só na quantidade, mas também no perfil dos projetos. Por exemplo, o auge das concessões ferroviárias ocorreu no governo FHC, quando 9 dos 12 leilões nessa área foram realizados, porém alguns apresentaram problemas, como a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), com questões de conservação e abandono, que levou a acordo recente para renovação com investimentos.

O Brasil enfrenta hoje um desaquecimento no setor ferroviário, com poucos projetos novos devido ao custo elevado e à concorrência do transporte rodoviário.

Em 2021, no governo Bolsonaro, houve a última concessão ferroviária, e o Ministério dos Transportes já prepara oito leilões para 2026, com previsão de R$ 140 bilhões em investimentos.

O setor aeroportuário também teve um ciclo intenso, principalmente no governo Dilma Rousseff, com concessões importantes como Guarulhos, Viracopos e Galeão. O governo Michel Temer destravou projetos parados na crise econômica, leiloando quatro aeroportos, e o governo Bolsonaro intensificou essa agenda, somando nove leilões para 49 aeroportos.

Renan Filho destaca que o atual governo adota uma postura pragmática, sendo um governo de frente ampla e não ideológico.

Um levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) sugere que os investimentos privados atingiram um recorde em 2025, motivados pela agenda de concessões.

Dos R$ 280 bilhões projetados em infraestrutura para 2025, 84% são de origem privada, um aumento real de 11% em relação a 2024, enquanto a participação pública diminui.

Fernando Vernalha, sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira, observa que o país investe cerca de 2% do PIB em infraestrutura, abaixo do ideal, que seria acima de 4%. Ele afirma que buscar investimentos privados, via concessões e PPPs, foi a solução para ampliar o aporte nesse setor.

O Brasil tem conseguido oferecer oportunidades para investidores que são raras em outros países, especialmente no setor aeroportuário, que atraiu forte interesse internacional.

Renan Filho acrescenta que são poucos os países com uma carteira de projetos atraente, sustentabilidade ambiental, agências reguladoras autônomas e mercado de capitais avançado, fatores importantes para atrair investimentos privados.

Concessões problemáticas

Nem todas as concessões foram bem-sucedidas. Algumas rodovias e aeroportos apresentaram desequilíbrios financeiros, atrasos e falhas em investimentos, chamados de “contratos estressados”.

Parte desses ativos foi relicitada nos últimos anos, aumentando o número de concessões atuais.

No setor rodoviário, quatro leilões envolveram ativos problemáticos, com outras seis rodovias nessa situação. Em 2026, o governo deve realizar novos certames simplificados para esses casos, renovando contratos via concorrência.

Marco Aurélio Barcelos, diretor da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), destaca que o setor está perto de um momento ideal, com grande expectativa de investimentos nos próximos oito anos.

Entre desafios, ele cita a necessidade de melhorias em seguros contratuais e agilidade no licenciamento ambiental.

Apesar do alto volume, Barcelos acredita que o mercado possui capacidade para absorver a demanda prevista para 2026 e 2027, com possível redução de leilões posteriormente.

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