ANDRÉ BORGES E MARIANA BRASIL
FOLHAPRESS
Representantes do governo federal e do governo de São Paulo entraram em contato com empresários e líderes de diferentes indústrias para realizar reuniões na terça-feira (15), com o objetivo de discutir os impactos e possíveis soluções para a sobretaxa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros exportados para aquele país.
A administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) agendou um encontro às 9h no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. O empresário Paulo Skaf, ex-presidente da Fiesp, fez convites pessoais para os empresários na segunda-feira (14).
Empresários dos setores de suco, café e plástico estão entre os convidados, e há a possibilidade da participação do chefe da embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, que esteve com Tarcísio na sexta-feira (11).
Simultaneamente, o governo do Lula (PT) também enviou convites para empresários, para uma reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, às 14h em Brasília. Os encontros podem acabar dividindo a atenção dos convidados.
Além da urgência econômica, que afeta milhares de trabalhadores em vários setores, há uma intensa disputa política sobre quem conseguirá atribuir-se o mérito de resolver a situação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou no domingo (13) a criação de um comitê interministerial para dialogar com os setores mais prejudicados pela sobretaxa. Ele também informou que se reunirá pessoalmente com empresários para tratar do tema, segundo fonte presente na reunião organizada por ele.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), se encontrou nesta segunda-feira (14) com Geraldo Alckmin para discutir a sobretaxa. Cerca de 30% das exportações do Espírito Santo têm os EUA como destino. Casagrande confirmou que Alckmin fará reuniões na terça-feira (15) com empresários e representantes agrícolas e industriais para tratar do assunto.
O objetivo dessas reuniões é fortalecer o diálogo com empresários americanos e intensificar as negociações com os EUA.
Aliados do presidente Lula acreditam que o governador de São Paulo tenta desviar críticas causadas pela sobretaxa de Trump, criando uma imagem de negociador com os Estados Unidos. Porém, há dúvidas se será aceito como interlocutor por Washington.
Até o momento, a atuação de Tarcísio neste contexto tem prejudicado suas ambições presidenciais para 2026, com declarações contraditórias e uma relação tensa com Eduardo Bolsonaro (PL), deputado licenciado que também deseja ser candidato no próximo ano.
Tarcísio não foi o único a ter dificuldades. O bolsonarismo inicialmente comemorou o movimento de Trump, mas após reação negativa, recuou e agora está dividido sobre como enfrentar a crise.