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sexta-feira, 29/08/2025

Lula diz que não há pressa para medidas contra os EUA

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que não tem pressa para usar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, mas que o processo precisa avançar para tentar acelerar as negociações com o país sobre as tarifas elevadas aplicadas aos produtos brasileiros.

Lula autorizou a aplicação da nova lei, aprovada pelo Congresso e sancionada em abril, e a Câmara de Comércio Exterior começou o processo que inclui notificar os EUA sobre as respostas às tarifas impostas.

“Eu não tenho pressa para fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei essa medida porque preciso seguir com o processo”, explicou Lula durante entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte.

A lei permite ao Brasil responder a medidas unilaterais tomadas por outros países contra produtos brasileiros, como as sobretaxas dos EUA.

“Seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio, o processo pode levar até um ano. Por isso, precisamos começar e já acionamos a OMC. Temos que informar os Estados Unidos que temos ações a tomar, mas não estou com pressa porque quero negociar”, disse o presidente.

O aumento das tarifas faz parte da política dos EUA para tentar recuperar a competitividade da economia americana, que enfrenta dificuldades frente à China.

Em 6 de agosto, entraram em vigor tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, em retaliação a decisões que, segundo o ex-presidente Donald Trump, prejudicariam empresas americanas e também em resposta a questões políticas internas brasileiras.

Atualmente, 35,6% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas a uma tarifa de 50%.

Lula reafirmou a soberania do Brasil e disse que, se os EUA quiserem negociar seriamente, o Brasil está aberto para conversar a qualquer hora, embora haja pouco espaço para negociação até o momento.

O vice-presidente Geraldo Alckmin lidera a missão para buscar novos acordos comerciais, junto com os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

“Até agora, não conseguimos falar com ninguém relevante. Eles não querem negociar. Se o Trump quiser negociar, estou aberto, mas não vou ligar para ele”, afirmou Lula, explicando que o sinal deve partir dos EUA.

Crime organizado

Na entrevista, Lula também falou sobre operações policiais que investigam grupos criminosos envolvidos na cadeia de combustíveis e no financiamento do crime através de facções do narcotráfico. Ele afirmou que essa é a operação mais importante da história para alcançar os líderes.

“Antes, só atingiam os níveis mais baixos. Agora, queremos identificar quem realmente faz parte do crime organizado. Quem estiver envolvido será descoberto”, prometeu.

“O crime organizado hoje é muito complexo, atuando na política, no futebol, na Justiça e em diversas áreas. Ele tem conexões internacionais e funciona como uma grande multinacional”, acrescentou o presidente.

As investigações revelaram um esquema sofisticado que usava fundos de investimento, por meio de fintechs, para esconder bens de origem ilegal, com ligações a facções criminosas. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de bens e valores até cerca de R$ 1,2 bilhão, referentes a autuações fiscais.

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