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domingo, 31/08/2025

Lula: defesa de Trump a Bolsonaro trará prejuízos aos americanos

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou que a atual tensão entre Estados Unidos e Brasil resulta diretamente do apoio do ex-presidente Donald Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Lula, essa defesa feita por Trump acarretará prejuízos para o povo americano, já que as tarifas de 50% impostas sobre produtos brasileiros importados pelos EUA causarão aumento nos preços de itens como café, carne bovina e suco de laranja.

“Nem o povo americano nem o povo brasileiro merecem essa situação”, declarou Lula ao jornal norte-americano The New York Times. “Estamos passando de uma relação diplomática de mais de dois séculos com benefícios mútuos para um cenário de perdas para ambos os países.” As tarifas devem entrar em vigor a partir da sexta-feira, 1º de agosto.

O líder brasileiro recebeu a equipe do The New York Times no Palácio da Alvorada, em Brasília, onde afirmou que o Brasil encara as medidas tarifárias anunciadas com seriedade, mas exige ser tratado com respeito. Lula criticou a postura do governo americano, que demonstrou falta de disposição para dialogar ou conduzir negociações diplomáticas.

“Estamos lidando com isso com máxima seriedade, mas isso não significa submissão. Trato todos com respeito e exijo o mesmo tratamento”, destacou. “Nunca iremos negociar como se fôssemos um país pequeno diante de uma potência grande. Reconhecemos o poder econômico, militar e tecnológico dos EUA, mas isso não nos assusta, apenas nos preocupa.”

Lula reclamou que ninguém na Casa Branca demonstrou interesse em conversar, mesmo após ter designado seu vice e ministros para estabelecer comunicação com seus respectivos pares norte-americanos. “Até agora, não houve possibilidade de diálogo”, lamentou.

Adotando um tom mais conciliador, o presidente mencionou que seu governo realizou dez reuniões com o Departamento de Comércio dos EUA e enviou, em 16 de maio, uma carta solicitando resposta. Contudo, a reação dos EUA veio apenas por meio do anúncio oficial das tarifas na página pessoal do presidente Trump.

“Espero que a civilidade volte a nortear a relação entre Brasil e Estados Unidos, pois a atitude do presidente americano indica que ele não deseja negociar”, concluiu Lula.

Lula também considerou vergonhosa a forma como o anúncio das tarifas foi feito, por meio da rede social do ex-presidente norte-americano, o Truth Social. “A conduta do presidente Trump foge a todos os padrões de negociação e diplomacia”, afirmou.

“Em disputas comerciais e políticas, o usual é telefonar, agendar encontros, conversar e buscar soluções. Não se impõem tributos abruptamente ou se dá ultimatos”, enfatizou o presidente.

O jornal americano destaca que, possivelmente, nenhum outro líder mundial tem enfrentado o ex-presidente Donald Trump com tanto vigor quanto Lula.

Segundo Trump, as tarifas também são direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, devido a supostas “ordens de censura” contra empresas norte-americanas de tecnologia. Desde 18 de julho, os ministros da corte, inclusive o ministro Alexandre de Moraes — alvo das medidas da Casa Branca — tiveram os vistos para os EUA suspensos.

Enquanto isso, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Bolsonaro, está em Washington buscando apoio para sanções contra o ministro do STF, conforme a Lei Magnitsky Global, que penaliza pessoas acusadas de graves violações de direitos humanos ou corrupção. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou ao Congresso que essas sanções são uma possibilidade real.

O presidente Lula vê com apreensão a possibilidade de sanções ao ministro. Segundo ele, “se essas informações forem confirmadas, a situação é ainda mais séria do que imaginávamos. O Supremo Tribunal Federal de um país deve ser respeitado não apenas internamente, mas por toda a comunidade internacional.”

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