O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as negociações para formar sua base política no próximo mandato durante um encontro com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A reunião aconteceu na segunda-feira (26/10), no Palácio da Alvorada, e durou cerca de duas horas. Embora seus partidos tenham apoiado Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, ambos parlamentares declararam apoio à reeleição de Lula e devem atuar como pontes entre o governo e o Centrão.
Após a reunião, Hugo Motta publicou nas redes sociais que visitou o presidente para reafirmar o compromisso de manter a harmonia entre os Poderes. Ele também destacou a importância da cooperação entre Executivo e Legislativo para avançar nas pautas do país. Tanto ele quanto Davi Alcolumbre buscam renovar suas lideranças nas respectivas Casas a partir de fevereiro de 2027, o que pode influenciar as negociações com o governo. No entanto, essa aproximação não significa que já exista um acordo formal entre Lula e os partidos envolvidos.
O Centrão está iniciando as discussões sobre seu posicionamento frente ao novo governo. Os partidos Republicanos e a federação União Progressista, composta por PP e União Brasil, apoiaram Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. No PP, a senadora Tereza Cristina (MS) sinalizou que pretende fiscalizar o governo e atuar na oposição, enquanto o senador eleito Arthur Lira (AL) defendeu o diálogo e a responsabilidade após reconhecer o resultado das urnas. Essas diferentes posições indicam que Lula terá que negociar apoio parlamentar, pois não pode contar automaticamente com o apoio das legendas que participaram de sua coalizão no terceiro mandato.
A composição da Esplanada dos Ministérios será um tema central dessas negociações. Lula deverá tentar equilibrar a entrada de partidos de centro com a renovação dos aliados tradicionais que não foram eleitos em 2026. Entre os nomes que surgem nas negociações estão Gleisi Hoffmann (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), João Campos (PSB), Fernando Haddad (PT) e Randolfe Rodrigues (PT). A necessidade de acomodar esses quadros poderá limitar o espaço para incluir outras siglas no governo.
Outra questão em aberto é a indicação para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco voltou a ser citado como uma possível escolha para aproximar Lula de Davi Alcolumbre, depois que a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, foi rejeitada pelo Senado. Até o momento, não há nova indicação oficial. No Congresso que tomará posse em 2027, o PL contará com 121 das 513 cadeiras da Câmara, enquanto o PT terá 70; no Senado, o PL terá 29 parlamentares e o PT 10. Essa distribuição reforça o desafio do presidente para formar maioria e aprovar suas propostas com amplo apoio dos congressistas.


