O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tem pressa para definir os nomes que vão compor seu quarto mandato. A partir desta semana, enviados do presidente começarão a negociar com partidos e líderes políticos para escolher os ocupantes das pastas ministeriais.
A decisão final sobre os nomes deve acontecer apenas em dezembro, conforme informam aliados do Planalto. A principal estratégia do governo será priorizar a fidelidade dos partidos que vão integrar o alto escalão do Executivo.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, foi designado por Lula para liderar as primeiras conversas com partidos do centro político. Os encontros começam na próxima terça-feira (3/11), após o feriado de Finados.
As vagas no governo serão distribuídas considerando o comprometimento dos partidos com as pautas do Executivo. A cobrança por lealdade deve ser maior que no mandato atual, quando algumas legendas votaram contra o governo em decisões importantes no Congresso, mesmo ocupando ministérios.
Durante o último mandato, partidos como MDB, PSD e União Brasil tiveram cargos na Esplanada, mas não garantiram apoio total ao governo. Agora, o objetivo é assegurar a governabilidade diante de um Congresso com oposição fortalecida.
Além de Edinho Silva, outros emissários e o próprio presidente participarão das negociações com o Centrão nesta semana.
Busca por governabilidade
Em 2027, Lula enfrentará um país dividido e um Congresso mais opositor. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá as maiores bancadas nas duas casas legislativas. Na Câmara, serão 121 deputados do PL contra 70 do PT; no Senado, 29 senadores do PL ante 10 do PT.
Este cenário tem dificultado a relação entre Executivo e Legislativo. Em 2023, uma medida provisória quase perdeu validade por divergências e só foi aprovada no último momento, com alterações contrárias ao governo, especialmente ligadas aos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas.
Outras votações apresentaram desafios, como a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal no Senado.
Possíveis nomes para o governo
Nos bastidores, surgem nomes que podem ocupar cargos importantes, indicados como aliados fortes do presidente e fundamentais para sua reeleição, como o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador do Piauí Rafael Fonteles (PT) e o deputado federal André Janones (Rede-MG).
Camilo Santana, ex-ministro da Educação, é cotado para a Casa Civil. Já Rafael Fonteles, secretário estadual da Fazenda, pode assumir o Ministério da Fazenda, embora tenha negado ter tratado do assunto com o presidente.
Além deles, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também é mencionado para liderar a Fazenda, visto como nome capaz de transmitir equilíbrio ao mercado.
Aliados sem mandato
O próximo governo deve acomodar aliados que não foram eleitos nestas eleições. Isso inclui políticos da esquerda e centro-esquerda, reduzindo o espaço para negociações com partidos de centro, mas mantendo a necessidade de suporte parlamentar.
Entre os nomes a serem contemplados estão: o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP); as ex-ministras Marina Silva (PT-SP) e Simone Tebet (PSB-SP); candidatos que não venceram disputas estaduais como João Campos (PSB-PE) e Eduardo Paes (PSD-RJ); a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-RS); o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP); e o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).
Além dos que perderam as eleições, aliados que não concorreram para focar na campanha também devem receber cargos, como os deputados federais Guilherme Boulos (PSol-SP), Alexandre Padilha (PT-SP) e José Guimarães (PT-CE).
Renan Calheiros (MDB) e seu filho Renan Filho (MDB), que não foram eleitos em Alagoas, também são cotados para compor o novo governo.
As negociações e definições prosseguem, com Lula buscando garantir um governo estável e alinhado para seu novo mandato.
Fonte: Metrópoles

