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quinta-feira, 29/01/2026

Lucro das estatais cresce 22,5% até o terceiro trimestre de 2025, mas metade apresenta queda

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Idiana Tomazell
Folhapress

As empresas estatais federais registraram um lucro total de R$ 136,3 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, representando um crescimento nominal de 22,5% em comparação ao mesmo período de 2024, conforme divulgado pelo Ministério da Gestão e Inovação, que supervisiona as companhias controladas pela União.

No entanto, esse desempenho positivo não é uniforme entre todas as empresas. De um total de 39 estatais que já divulgaram seus resultados até o terceiro trimestre, 20 apresentaram piora, com prejuízos maiores ou lucros reduzidos em relação ao ano anterior.

Um dos casos mais preocupantes é o dos Correios, que acumularam prejuízo de R$ 6,1 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, quase três vezes maior que o prejuízo de R$ 2,1 bilhões registrado no ano anterior. No final de 2024, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões, garantido pelo Tesouro Nacional, acompanhado de um plano de reestruturação que inclui a redução de despesas com pessoal e custos operacionais, além de buscar ampliar receitas por meio de novos contratos e parcerias.

O Banco do Brasil também teve queda no resultado, embora tenha mantido lucro, que caiu de R$ 26,7 bilhões para R$ 12,8 bilhões no mesmo período. A instituição precisou fazer provisões devido ao aumento da inadimplência, especialmente em contratos de crédito rural, afetando seus resultados. Recentemente, o governo aprovou novas condições para renegociação dessas dívidas, o que pode melhorar o desempenho do banco futuramente.

Outras estatais que tiveram queda significativa nos resultados incluem o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ENBPar (que controla a Eletronuclear e a participação brasileira na usina de Itaipu), Casa da Moeda, Banco da Amazônia e Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A ENBPar e a Casa da Moeda estão na lista do Tesouro Nacional de empresas com situação financeira frágil, podendo demandar aporte da União.

Por outro lado, 19 estatais apresentaram melhora em seus resultados, lideradas pelo grupo Petrobras, que registrou lucro de R$ 94,6 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, 75% superior ao mesmo período do ano anterior. O grupo Caixa Econômica Federal também obteve avanço, com saldo positivo de R$ 13,5 bilhões, frente a R$ 9 bilhões no ano anterior.

A Infraero mostrou redução no prejuízo, de R$ 214,5 milhões para R$ 19,8 milhões no período analisado. Segundo o governo, apesar do impacto do programa de demissão voluntária (PDV) lançado pela empresa, sua operação é considerada lucrativa. Vale destacar que a Infraero não possui a propriedade dos aeroportos onde atua, o que faz com que seus investimentos sejam contabilizados em um único ano, e não diluídos ao longo do tempo como a depreciação habitual.

O boletim trimestral sobre as estatais, divulgado pelo MGI após uma pausa iniciada no fim de 2022, é considerado um avanço à medida que consolida as informações regularmente disponíveis no Panorama das Estatais e oferece uma visão geral do conjunto das empresas.

O governo federal possui 44 estatais, das quais 17 dependem financeiramente do Tesouro Nacional para despesas correntes, como salários e custeio administrativo. Essas empresas receberam uma subvenção de R$ 20,8 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, alta nominal de 14,2% comparado ao mesmo período de 2024.

As outras estatais, classificadas como não dependentes por não precisarem de recursos do Tesouro para suas atividades, geraram receita para a União via dividendos, embora essa receita tenha caído 17,8% no período, totalizando R$ 33 bilhões.

O faturamento total das estatais alcançou R$ 1,01 trilhão no terceiro trimestre de 2025, com aumento nominal de 6,3% em relação a 2024. Além disso, os investimentos das 44 empresas cresceram para R$ 86,4 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, acima dos R$ 64,4 bilhões do ano anterior, já descontada a inflação. Dados preliminares indicam que o investimento total em 2025 chegou a R$ 111 bilhões, superando os R$ 100,8 bilhões de 2024.

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