Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Brasil

Lua influencia ataques de tubarão em Pernambuco

Foto colorida de placa de sinalização sobre área sujeita a incidentes com tubarão no litoral de Pernambuco – Metrópoles

Nos últimos dias, dois ataques de tubarão foram registrados em Pernambuco, trazendo à tona questões sobre os fatores que podem contribuir para esses incidentes no litoral do estado, que possui o maior número de casos no Brasil.

O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) confirmou que as vítimas foram João Lucas Nemézio Sales, de 11 anos, atacado na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, mordida na Praia de Boa Viagem, no Recife.

Os ataques aconteceram em um curto intervalo de tempo durante a chamada Lua Azul, que é a segunda lua cheia em um mesmo mês. Embora a fase da lua por si só não explique os ataques, estudos dos órgãos responsáveis indicam que as fases de lua nova e lua cheia merecem atenção especial devido à maré de sizígia, quando as marés sobem e descem mais do que o normal.

O Cemit ressalta que a maré alta pode aumentar o risco de encontros entre tubarões e banhistas, pois os animais conseguem se aproximar mais da costa e áreas protegidas pelos arrecifes ficam mais acessíveis.

Publicidade

Além da influência das marés, os ataques em Pernambuco são resultado de uma combinação de fatores ambientais, geográficos e humanos acumulados ao longo das últimas décadas.

Alterações ambientais e urbanização

Um dos fatores mais discutidos é o impacto ambiental causado pela fundação e expansão do Porto de Suape, situado entre Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. O complexo portuário, inaugurado em 1983, provocou alterações significativas na paisagem costeira por meio de obras de dragagem, abertura de canais e supressão de manguezais, que modificaram habitats e rotas de espécies marinhas, incluindo tubarões.

Pesquisas realizadas por universidades federais de Pernambuco e pelo Cemit relacionam essas mudanças ao aumento dos encontros entre tubarões e humanos na região metropolitana do Recife.

A expansão urbana no litoral sul da região também é um ponto importante para entender o fenômeno. A ocupação intensa da costa transformou a relação entre a população e o ambiente marinho, elevando o número de pessoas em áreas com risco maior de ataques.

Ultrapassar a linha dos arrecifes, onde a água é mais profunda, coloca os banhistas em contato direto com áreas usadas por tubarões. Permanecer na água durante a maré alta exige cuidado redobrado.

Outros riscos

As chuvas são outro fator de risco, pois a água turva que resulta dificulta a visibilidade tanto dos tubarões quanto dos banhistas. Além disso, o aumento do volume de água doce e matéria orgânica nos rios e canais altera temporariamente o ambiente costeiro.

Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.