LUCAS LACERDA, MARINA PINHONI E VITOR ANTONIO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A cidade com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes no estado de São Paulo é Lorena, localizada no Vale do Paraíba, a 190 km da capital. Em 2025, Lorena registrou 27 assassinatos, uma taxa de 31,8, a mais alta entre cidades paulistas com mais de 50 mil habitantes.
Os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública mostram que Lorena é seguida por Ubatuba (26,9), Cruzeiro (24) e Boituva (18) em homicídios, possivelmente ligados a disputas do crime organizado.
Essas cidades têm até cinco vezes mais homicídios que a média estadual, que foi de 5,66 por 100 mil habitantes em 2025, o menor índice desde 2001.
A análise inclui 137 cidades com mais de 50 mil habitantes, representando 85% da população do estado.
Investigações do Ministério Público e Polícia Militar apontam disputas entre as facções PCC e CV em diversas cidades, incluindo Araras, Piracicaba, Rio Claro e Limeira, além do Vale do Paraíba, onde o interesse pelo porto de São Sebastião é estratégico.
Na capital, houve aumento de homicídios entre 2024 e 2025, com 530 vítimas. Com 11 milhões de habitantes, a taxa é de 4,65 por 100 mil, inferior às cidades com maiores taxas proporcionais.
Roubo na Região Metropolitana de São Paulo
Enquanto o interior tem mais homicídios, os roubos são maiores nas cidades da Grande São Paulo. A capital lidera com 858,8 registro por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média estadual de 361.
Itapecerica da Serra (727,97) e Santo André (695,8) continuam no topo do ranking, seguidos por Embu das Artes (601,54) e São Vicente (592,58).
Entre cidades menores, Juquitiba, Miracatu e Aparecida também apresentam altas taxas de roubo, com crescimento em Aparecida de 19,7% de 2024 para 2025.
Locais com alta incidência de roubo costumam ser áreas de passagem ou pontos turísticos, como São Vicente, Santos e Aparecida.
Furtos de veículos diminuíram e ocorrem mais em cidades próximas a grandes centros, como Serrana e Jardinópolis, perto de Ribeirão Preto.
Ajustes no policiamento para combater o crime
Especialistas afirmam que a mudança no policiamento da prevenção para repressão, adotada nas gestões recentes, aumentou a letalidade sem reduzir homicídios.
Benedito Mariano, do IREE, critica a política, citando que cidades como Baixada Santista e regiões do Vale do Paraíba continuam com altos índices.
A SSP defende que o fortalecimento das unidades especiais não diminui a presença policial, mantendo patrulhamento aliado à inteligência e investigação.
Diversos indicadores criminais atingiram os menores níveis em 25 anos, incluindo queda em roubos gerais, de veículos, de cargas e latrocínios, assim como no interior do estado.
Rafael Alcadipani, da FGV, enfatiza que para enfrentar furtos e roubos em áreas de passagem ou turísticas é necessário policiamento inteligente, alinhado ao fluxo de pessoas.
A SSP destaca investimentos recentes, como aquisição de viaturas, armas, munições e inauguração de novas unidades policiais.
Atuação conforme características regionais
A SSP informa que o combate ao crime é planejado segundo as características locais, com atuação integrada das polícias e uso intensivo de inteligência para desarticular quadrilhas.
Alcadipani observa que o crime tem se virtualizado, exigindo novos indicadores e políticas para crimes digitais, ainda pouco abordados atualmente.
A SSP atua com unidade especializada em crimes cibernéticos para identificar organizações criminosas que atuam via plataformas digitais, utilizando tecnologia avançada.
