Segundo uma facção do governo, o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, continuará comandando a Caixa Econômica Federal, mesmo que seu partido, o PP, rompa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos bastidores tanto do PP quanto do PT, as nomeações para a liderança da Caixa são vistas como um gesto pessoal de gratidão ao parlamentar e não deverão ser afetadas pela saída formal do partido.
Aliados do governo destacam as razões para a permanência da influência de Lira na Caixa, considerada um dos principais ativos da administração pública. O motivo principal é que o presidente atual da instituição, Carlos Vieira, foi indicado diretamente pelo ex-presidente da Câmara, e vários vice-presidentes foram apadrinhados por um grupo de partidos do Centrão, que inclui não só o PP, mas também o Republicanos do atual presidente da Câmara, Hugo Motta.
Essa influência tem ainda um componente pessoal, tratando-se de um reconhecimento pela ajuda prestada por Lira ao governo durante seu mandato na Câmara, nos dois primeiros anos da administração Lula. Além disso, o político tem um papel importante no futuro, pois é relator do projeto de isenção do Imposto de Renda para pessoas que recebem até R$ 5 mil, uma estratégia central do PT para melhorar as avaliações do presidente visando a reeleição em 2026.
No PP, há divergências sobre manter ou não a influência na Caixa, com opiniões de que o partido deve se afastar completamente do governo caso deseje apoiar uma candidatura conservadora para o próximo ano, conforme a aliança recém-formada com o União Brasil. Essa aliança visa ser a maior força no Congresso e pretende eleger um candidato conservador para a presidência em 2026.
O União Brasil, liderado por Antônio Rueda, planeja anunciar sua saída do governo até o início de setembro, aguardando o posicionamento do PP, sob comando do senador Ciro Nogueira, em uma possível declaração conjunta. O Progressistas, que já pressionava por um anúncio, agora busca resolver a questão da Caixa antes de decidir seguir adiante.
Além disso, o PP está tentando resolver internamente a situação do Ministério do Esporte, atualmente sob comando do ex-líder do partido na Câmara, André Fufuca, que resiste em deixar o cargo. Ele ainda almeja manter algum vínculo com o governo e é cotado para disputar uma cadeira no Senado pelo Maranhão, onde o apoio de Lula pode ser decisivo.