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domingo, 31/08/2025

Lira e Caixa causam impasse para fim da união do União-PP com Lula

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O cenário político no Centrão mudou de figura na recente aliança formada entre os partidos União Brasil e Progressistas (PP). Antes, era o PP, sob o comando de Ciro Nogueira, que pressionava o União Brasil a deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, a situação se inverteu: o União Brasil, liderado por Antônio Rueda, está organizado e aguarda uma definição do PP para seguir adiante.

O PP enfrenta resistência interna, principalmente devido à posição estratégica da Caixa Econômica Federal, administrada por indicação do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira. Essa resistência dificulta a decisão do partido em abandonar os cargos na gestão federal.

Recentemente, União Brasil e PP anunciaram a formação de uma federação política que atuará como um só partido pelos próximos quatro anos, visando a apresentação de uma candidatura de oposição a Lula em 2026. Para isso, as lideranças desejam anunciar juntos o rompimento com o governo e a devolução dos cargos ocupados.

Antônio Rueda planeja que o União Brasil anuncie oficialmente sua saída da base de Lula até uma data próxima, e ainda pretende conversar com Ciro Nogueira para confirmar se o PP seguirá o mesmo caminho. O presidente do PP é um defensor de uma candidatura única da direita para as eleições do próximo ano.

Internamente, o PP tenta lidar com a entrega do Ministério do Esporte, atualmente sob o comando do ex-líder da bancada na Câmara, André Fufuca. O principal desafio, porém, é a Caixa Econômica, um órgão chave onde são administrados diversos programas sociais essenciais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, além dos pagamentos para obras públicas.

Esse órgão é disputado pelo Centrão porque representa grande poder político. No entanto, as indicações para cargos na Caixa foram distribuídas por Arthur Lira entre diferentes partidos da base, o que torna a entrega do controle ainda mais complexa.

No governo Lula, o União Brasil mantém três ministérios, sendo que apenas o do Turismo é indicação do partido. Os ministérios da Integração e das Comunicações são nomeações pessoais do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e devem continuar. O PP comanda o Ministério do Esporte desde 2023, e alguns membros do partido desejam manter essa posição e continuar apoiando Lula.

André Fufuca resiste internamente à entrega do Ministério do Esporte, pois ainda tem esperanças de que sua sigla permaneça com influência no governo, especialmente tendo em vista sua possível candidatura ao Senado pelo Maranhão.

O União Brasil já desistiu da maioria das indicações em cargos, incluindo funções na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Denocs). Ainda há dúvidas quanto à permanência do ministro do Turismo, Celso Sabino, indicado pela bancada do partido.

Antônio Rueda deixou claro que, se o ministro não deixar o governo, será expulso do partido. Celso Sabino tenta reverter essa decisão até a próxima semana, mas caso permaneça no cargo, o União Brasil tratará tal postura como uma escolha pessoal do presidente Lula, sem obrigar os deputados a seguir suas orientações.

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