Três ex-presidentes do PT observaram que a vitória do presidente Lula foi maior do que a do partido e aliados. O sucesso veio com apoio de diversos partidos e movimentos locais.
Por isso, eles ressaltam a importância de o PT ampliar o diálogo, principalmente com os eleitores que demonstraram engajamento nas ruas durante outubro. Líderes de esquerda enfatizam a necessidade de manter a mobilização popular mesmo após a conquista eleitoral, como resposta à força da direita e extrema direita em várias esferas de governo.
Segundo esses antigos dirigentes, o PT deve buscar novas formas de comunicar-se com eleitores que votaram em Lula por medo da ascensão da extrema direita, representada pelo senador Flávio Bolsonaro, que teve maioria no primeiro turno.
Segundo Tarso Genro, que foi ministro e governador, a vitória se deve à participação de grupos à margem da opinião pública, como idosos e estudantes, que deram apoio decisivo após a derrota no primeiro turno. Para ele, esses grupos não são necessariamente de esquerda, mas sentiram a necessidade de apoiar Lula diante da ameaça real.
Genro destaca que o partido precisa repensar sua comunicação, fazendo-a de forma mais horizontal, sem controle centralizado. Ele acredita que será fundamental isolar a extrema direita e dialogar com a direita democrática para formar uma ampla frente democrática com um governo moderado.
O futuro do PT, segundo Genro, exige atenção às demandas de novos segmentos econômicos, como trabalhadores autônomos, estudantes, mulheres e grupos antes excluídos. Ele prevê líderes mais diversos e menos regionais após o governo Lula, enfatizando que a prioridade é atender às novas necessidades da sociedade.
Para isso, é importante aumentar o acesso da população aos atos governamentais e fortalecer ferramentas de participação popular. Aos 79 anos, Genro afirma que sua geração já cumpriu sua missão.
José Genoino, deputado federal por sete mandatos e ex-presidente do PT, acredita que o governo Lula deve atuar em duas frentes: isolar a extrema direita e manter diálogo direto com a população, que foi fundamental para a vitória.
Ele defende que o presidente Lula deve viajar pelo país, dar entrevistas e participar de encontros para comunicação direta, citando a presidente do México como exemplo. Genoino apoia o diálogo horizontal e diz agir como militante de base focado em ideias, não cargos.
Aos 80 anos, acha fundamental que o partido se renove com novos dirigentes e ideias, dando espaço à nova militância. Ele espera ser assessor voluntário dos novos movimentos.
Olívio Dutra, ex-governador e ex-presidente do PT, destaca que o temor pelo enfraquecimento da democracia foi chave para a vitória de Lula. Ele reconhece que Lula não é perfeito, mas é uma influência positiva para o país.
Dutra acredita que a diversidade dos grupos de apoio fortalece a democracia e a convivência civilizada, defendendo que o povo deve participar ativamente da política, não apenas os detentores de mandatos.
Para ele, Lula tem capacidade de diálogo com diferentes correntes democráticas no Congresso. Aos 85 anos, destaca que aprende e ensina na política junto a jovens.
Os três ex-presidentes do PT decidiram não concorrer neste ano, mas atuaram como militantes na campanha. Além deles, o senador Paulo Paim, que se aposentou após 40 anos de mandatos, também pretende continuar participando da base partidária.

