Nos últimos três anos, o Brasil realizou 26 leilões no setor portuário, totalizando mais de R$ 15 bilhões em investimentos contratados. Desses, quatro grandes leilões se destacam por ultrapassarem R$ 1 bilhão cada, somando R$ 12 bilhões em projetos nas regiões Sul e Sudeste.
Essas ações, promovidas pelo Governo Federal através do Ministério de Portos e Aeroportos, têm o objetivo de resolver problemas antigos, integrar diferentes meios de transporte e melhorar a relação entre os portos e as cidades próximas. Silvio Costa Filho, ministro, destacou que os leilões portuários são essenciais para colocar a infraestrutura como prioridade no desenvolvimento do país, atraindo investimentos, gerando empregos e fortalecendo a logística nacional.
Alex Ávila, secretário Nacional de Portos, ressaltou que esses leilões representam uma mudança importante no planejamento da infraestrutura portuária, focando na eficiência, na clareza das regras e na integração logística.
O primeiro grande leilão foi o ITG02 no Porto de Itaguaí (RJ), com R$ 3,5 bilhões de investimentos previstos para 35 anos. Arrendado pela Cedro Participações, o terminal terá 348,9 mil m² e capacidade para 20 milhões de toneladas por ano, tornando o porto um centro importante para exportação de minério de ferro. O projeto deve gerar 2.800 empregos indiretos e 2.000 diretos e indiretos na operação.
Em São Paulo, o Túnel Santos-Guarujá, no Porto de Santos, é a maior obra de infraestrutura do Novo PAC, com R$ 6,8 bilhões de investimentos em parceria do Governo Federal com o Estado. Desenvolvido pela Mota-Engil, o túnel imerso mais longo da América Latina reduzirá o tempo de travessia de 50 para cinco minutos, com seis faixas, ciclovia e espaço para VLT. A obra beneficiará 720 mil pessoas e criará cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos, melhorando a logística do maior porto da América Latina.
No Paraná, o canal de acesso ao Porto de Paranaguá adotou um novo modelo de concessão, com R$ 1,23 bilhão de investimentos para 25 anos. Realizado em outubro de 2025, o projeto inclui dragagem para aumentar a profundidade de 13,5 m para 15,5 m, permitindo navios maiores e aumentando a capacidade operacional. O contrato também prevê dragagens regulares, manutenção, sinalização e gestão do tráfego para garantir segurança e eficiência.
Também em Paranaguá, três terminais (PAR14, PAR15 e PAR25) foram leiloados juntos, com lances totais de R$ 855 milhões e investimentos de R$ 2,18 bilhões. O PAR14, arrematado pela BTG Pactual Commodities Sertrading, planeja investir R$ 1,01 bilhão, incluindo modernização e construção de píer, gerando mais de 1,6 mil empregos diretos e 3,4 mil indiretos.
O PAR15, vencido pela Cargill Brasil, receberá R$ 604,17 milhões para movimentar 4 milhões de toneladas anuais, com 180 empregos diretos na operação. Já o PAR25, do Consórcio ALDC (Louis Dreyfus Company e Amaggi), terá R$ 565,09 milhões, contribuindo para ampliar a logística e o escoamento da produção agrícola.

