Marine Le Pen, líder da direita radical, e seu partido, o Reunião Nacional (RN), estão enfrentando um julgamento crucial na política francesa. O processo, iniciado na terça-feira (13/1) em Paris, envolve audiências ao longo de um mês que poderão afetar a candidatura de Le Pen à presidência da França em 2027.
Na abertura do julgamento em apelação, Marine Le Pen declarou não sentir que cometeu qualquer delito nem que tenha omitido informações relacionadas ao caso dos assistentes dos eurodeputados do FN (antigo nome do RN).
Depois da apresentação inicial da presidente da corte, Michèle Agi, a líder de 57 anos falou ao tribunal para justificar seu recurso contra a sentença de março de 2025, que a condenou a cinco anos de inelegibilidade imediata.
“Se um crime foi cometido — e muitos afirmam que sim — estou disposta a ouvir. Mas quero que a corte saiba que não tínhamos consciência de ter cometido qualquer irregularidade ao contratar e depois compartilhar nossos próprios assistentes entre 2004 e 2014”, afirmou Le Pen, usando um blazer azul-marinho e blusa rosa, em discurso menos veemente do que em primeira instância.
“Nunca escondemos informações, nem em nossos organogramas nem nos contratos registrados”, reforçou Marine Le Pen.
A audiência, realizada no Palácio de Justiça em Paris, foi suspensa à tarde e será retomada na manhã seguinte, com previsão de durar até 11 de fevereiro.
A acusação sustenta que Marine Le Pen, o Reunião Nacional e outros dez réus usaram fundos do Parlamento Europeu entre 2004 e 2016 para pagar funcionários do partido, que enfrentava dificuldades financeiras por maus resultados eleitorais. Dos 25 réus condenados na primeira instância, metade apelou.
Em 31 de março, o tribunal de Paris considerou Marine Le Pen culpada, condenando-a a quatro anos de prisão (dois em regime fechado, com tornozeleira eletrônica) e multa de €100 mil, além da inelegibilidade. A decisão chocou a opinião pública, pois ela liderava as intenções de voto para o primeiro turno presidencial.
Repercussões e desdobramentos
O prejuízo econômico ao Parlamento Europeu foi avaliado em €3,2 milhões após reembolsos parciais. Com o crescimento da extrema direita e 120 deputados do RN na Assembleia Nacional, Le Pen enfrenta o risco de ter impedida sua quarta candidatura presidencial, possivelmente sendo substituída por seu aliado Jordan Bardella.
Outros acusados incluem o prefeito de Perpignan, Louis Aliot, e deputados do RN, que também negam intenção criminosa. Aliot expressou sentir-se incompreendido no tribunal.
O advogado do Parlamento Europeu apontou a mudança na estratégia dos réus, surpreendendo-se com a nova postura menos contestadora em relação à acusação.
Embora Marine Le Pen não descarte a absolvição, uma condenação não necessariamente impediria sua candidatura, desde que a pena de inelegibilidade seja inferior a dois anos e que a tornozeleira eletrônica não seja exigida, pois isso dificultaria a campanha eleitoral.
A decisão da corte de apelação será determinante para seu futuro político, antes mesmo de qualquer possível recurso à Corte de Cassação.
Meses após a condenação, a popularidade de Marine Le Pen diminuiu, e a possibilidade de Jordan Bardella como candidato substituto se fortalece conforme pesquisas mostram.
