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Lava-Jato chegou a Luiz Estevão enquanto investigava Edison Lobão

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O nome do senador cassado aparece em tabela apreendida pela polícia em operação que apura suposta lavagem de dinheiro por meio da aquisição de obras de arte. Nessa fase, são investigados o ex-senador Edison Lobão (MDB) e um filho dele

Para o MPF no Paraná, o nome citado na tabela apreendida é do senador cassado, que tem relação pessoal com dono de galeria envolvida em suposta lavagem de dinheiro
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)

O senador cassado Luiz Estevão voltou a ser alvo da Polícia Federal. Desta vez, por suposto envolvimento na negociação de obras de arte sem emissão de nota fiscal. O Ministério Público Federal (MPF) no Paraná encontrou indícios da participação do empresário em vendas de quadros de uma galeria investigada em outro caso. As negociações de telas de artistas conceituados, como Alfredo Volpi, Antonio Bandeira, Di Cavalcanti e José Pancetti, somam R$ 65 milhões.
A Operação Galeria aparece como o 65º desdobramento da Lava- Jato. Nessa etapa, a polícia apura o envolvimento do ex-senador Edison Lobão (MDB) e do filho Márcio Lobão na suposta lavagem de dinheiro em contratos da Transpetro, empresa de transporte e logística de combustível vinculada à Petrobras. De acordo com a denúncia do MPF, o emedebista e o filho ocultavam o dinheiro lavado por meio da aquisição de obras da Almeida & Dale Galeria de Arte, do empresário Carlos Dale Júnior, também alvo da operação. A galeria fica no bairro Jardins, em São Paulo.

Durante as ações de busca e apreensão na galeria de arte, a polícia localizou no computador de Carlos uma tabela de vendas de obras com o nome Luiz Estevão relacionado às transações suspeitas. Por causa da relação pessoal do empresário com o dono da Almeida & Dale, os investigadores acreditam que essa identificação se refere ao próprio senador cassado. Nessa tabela, Estevão é identificado como “intermediário”. Mas o Correio apurou que ele seria o comprador das obras. O documento detalha o nome do artista do quadro, as dimensões da obra, as datas de venda e os valores da negociação. Esse último ponto chamou a atenção, pois os preços de compra e de venda têm diferença média de R$ 3 milhões.
De acordo com a tabela, um quadro de Volpi avaliado em R$ 250 mil foi adquirido na Almeida & Dale Galeria de Arte por R$ 62,5 mil — a diferença é de R$ 187,5 mil. Em outra negociação, a maior delas, outro quadro do mesmo artista cotado em R$ 11 milhões teria sido comprado por R$ 200 mil. Nesse caso, a diferença é de R$ 10,8 milhões. No total, o nome Luiz Estevão aparece 20 vezes na tabela.
O Correio tentou contato com a defesa do senador cassado, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno. O advogado da galeria, Ralph Tórtima Stettinger Filho, divulgou uma nota de defesa, mas não esclareceu a relação de Luiz Estevão com o empreendimento: “A Galeria Almeida & Dale esclarece que, na hipótese mencionada, apenas atuou na intermediação de compra e venda e, no menor tempo possível, estará fornecendo todos os esclarecimentos necessários de sorte a evidenciar a regularidade dessa operação.”
O MPF no Paraná solicitou à Justiça autorização para encaminhar os indícios contra o senador cassado à força-tarefa do Ministério Público Federal, em São Paulo.

Obras furtadas

O MPF também quer saber se parte das obras de Volpi listadas na tabela em que aparece o nome Luiz Estevão foi furtada do acervo do artista em 2007. A denúncia do MPF no Paraná cita uma reportagem jornalística na qual a família do artista solicita à Polícia Civil de São Paulo “uma operação de busca e apreensão na galeria de arte Almeida & Dale, situada no bairro paulistano dos Jardins. Além disso, a equipe jurídica também solicitará à polícia do Distrito Federal que intime o ex-senador Luís Estevão (sic)”. A mesma matéria revela a suspeita dos herdeiros de Volpi de que pelo menos uma das 25 obras furtadas — da série Bandeirinhas e mastros, de 1970 — estivesse em poder da galeria paulista ou do senador cassado.
A denúncia do Ministério Público Federal traz outra reportagem que informa que a tela supostamente furtada “teria sido vendida à Galeria Jauaperi, no bairro de Moema, por R$ 4,5 mil. Esta, por sua vez, teria negociado a obra com a Almeida & Dale por R$ 120 mil, e ela, revendido ao ex-senador por R$ 250 mil.”
Na tabela encontrada pela polícia que aparece na denúncia do MPF, “é possível que pessoa identificada como ‘Luiz Estevão’ tenha sido responsável por adquirir 7 telas de Volpi, entre 2010 e 2015, inclusive duas telas adquiridas por R$ 250 mil”.

Condenação

Luiz Estevão cumpre 28 anos de prisão em regime semiaberto pelo desvio de R$ 169 milhões nas obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) e por sonegação fiscal. Parte das irregularidades cometidas pelo empresário são de 1992, mas só foram expostas em 1998, quando ele mesmo revelou o esquema em CPI realizada para investigar o Judiciário. Luiz Estevão foi condenado em 2006 e recolhido ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, em 2016.
O empresário também é investigado pelo crime de corrupção de agentes penitenciários. O processo foi protocolado em março de 2017 e é analisado pela Justiça do DF.
Nessa acusação, segundo a delação de Fernando Alves, um dos agentes envolvidos, Luiz Estevão teria oferecido um terreno de 18 hectares em Valparaíso (GO) como forma de “gratidão, aos serviços prestados”. A denúncia analisada pela Vara Criminal e pelo Tribunal do Júri de São Sebastião narra que os servidores “permitiam a entrada de grande volume de documentos destinados a Luiz Estevão e incontáveis visitas de advogados em horários fora do expediente e sem passar pelas necessárias verificações de segurança, o que viabilizou a entrada de documentos e alimentos não autorizados.” Se condenado, a pena do empresário poderá aumentar em até 12 anos.
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Bolsonaro esvaziou agenda contra corrupção, diz Moro

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Em entrevista, o ex-ministro da Justiça falou sobre a aproximação do presidente com o Centrão e sua postura “negacionista” em relação ao coronavírus

Moro disse que assinou a portaria que permite aquisição de mais munição por “pressão” do presidente (Andre Coelho/Getty Images)

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou que faltou apoio do presidente Jair Bolsonaro a ações de combate à corrupção. “Me desculpe aqui os seguidores do presidente se essa é uma verdade inconveniente, mas essa agenda contra a corrupção não teve um impulso por parte do presidente da República”, disse Moro em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida na noite de domingo. Segundo o ex-juiz da Operação Lava Jato, medidas nesse sentido foram sendo “esvaziadas” pelo presidente.

Moro declarou ainda que considera “questionáveis” as recentes alianças feitas por Bolsonaro com os partidos do Centrão. O presidente tem se aproximado do bloco – e negociado cargos com o grupo – em troca de apoio no Congresso.

O ex-ministro também foi indagado sobre a condução da pandemia do novo coronavírus pelo presidente. Para Moro, que defende o isolamento social como principal medida de prevenção à covid-19, Bolsonaro adota postura “negacionista” em relação ao vírus. “Acho que a minha lealdade ao presidente demanda que eu me posicione com a verdade, com o que eu penso, e não apenas concordando com a posição do presidente. Se for assim, ele não precisa de um ministro, precisa de um papagaio”, afirmou o ex-juiz ao comentar as divergências com o chefe do Executivo em relação à crise na Saúde.

O ex-juiz também comentou a reunião ministerial de 22 de abril, realizada dois dias antes de anunciar sua demissão do cargo e tornada pública na sexta-feira, e as mensagens reveladas pelo Estadão de que Bolsonaro já havia decidido trocar a direção da PF antes do encontro do dia 22. “Eu não ia discutir isso numa reunião ministerial, até porque o ambiente ali não era muito favorável ao contraditório.” Em relação aos palavrões ditos durante a reunião, afirmou que “o tom subiu nos últimos meses”.

Armas

Moro declarou também que a portaria que assinou, ainda ministro, que permite a aquisição de mais munição, foi resultado de “pressão” do presidente. “Certamente (que sim). Eu não queria que isso fosse usado como subterfúgio da interferência na Polícia Federal. Eu entendi naquele momento que não tinha condições de me opor a isso porque já existia essa querela envolvendo a Polícia Federal”, disse o ex-ministro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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Brasil navega sem enxergar o que vai acontecer, diz Teich sobre covid-19

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Em entrevista, o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, falou sobre a falta de alinhamento com o presidente e se mostrou a favor de um isolamento mais seletivo

Teich: ex-ministro minimizou a ida de vários militares para o ministério da Saúde (Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)

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STF arquiva queixa contra Joice Hasselmann por ofensa a ‘ex-gays’

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Caso foi arquivado porque ‘deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões’

“Respeito os “viados” assumidos. Os que são corajosos. Os que se escondem no conservadorismo, fazem pinta de machões escondidos em suas pseudos canetas e ficam mandando indiretas como se fosse “machos” não merecem meu respeito. Frouxo é frouxo, não importa o posto que tenha”, escreveu Joice nas redes Reprodução/Instagram

O decano do STF, ministro Celso de Mello, arquivou uma notícia-crime apresentada contra a deputada Joice Hasselmann por “desrespeitar, humilhar e ofender” ex-gays.

A ação foi movida pelo servidor público Claudemiro Soares, que se apresenta nas redes como evangélico e ex-gay, depois de Joice ter postado, em outubro de 2019, a seguinte mensagem nas redes:

“Respeito os “viados” assumidos. Os que são corajosos. Os que se escondem no conservadorismo, fazem pinta de machões escondidos em suas pseudos canetas e ficam mandando indiretas como se fosse “machos” não merecem meu respeito. Frouxo é frouxo, não importa o posto que tenha”.

“O texto da conta verificada da deputada demonstra que a mesma incita o ódio contra homossexuais que não se assumem como tal e contra os homossexuais egodistônicos (os ex-gays)”, escreve Soares na ação ao STF.

“A literatura trazida à lume expõe claramente o animus com o qual agiu a Deputada Joice Hasselmann, no sentido de desrespeitar, humilhar e ofender os homossexuais egodistônicos, segundo ela, “OS VIADOS” não assumidos”, segue Soares.

A PGR pediu o arquivamento do caso por considerar que a deputada dispõe de imunidade parlamentar para se expressar. “Os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”, registra a decisão de Mello, que seguiu o entendimento da procuradoria.

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A alma de Sergio Cabral ainda habita o governo Witzel

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Proposta de delação de Arthur Soares, conhecido como ‘Rei Arthur’, é nova bomba contra o governo do Rio

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel Philippe Lima/Governo do RJ/Divulgação

Eleito com o discurso do novo na política, Wilson Witzel administra uma máquina com o que há de mais velho na desgraça administrativa que há décadas sufoca o Rio.

Um esquema de propina envolvendo liberação de pagamentos atrasados a fornecedores do governo do Rio mediante pagamento de comissões que chegam a 30%.

Os personagens reluzentes na narrativa que já rendeu algumas décadas de prisão ao bando de Cabral são o Pastor Everaldo e André Moura, dois nomes famosos do time de Witzel.

“Em menos de um ano, segundo ele, o esquema teria arrecadado cerca de 30 milhões de reais com a cobrança de 20% a 30% do valor de cada fatura paga”, registram os repórteres Cássio Bruno, Thiago Bronzatto, Laryssa Borges.

Como revelou o Radar, Witzel já vinha procurando um substituto para Moura. Agora entende-se o verdadeiro motivo.

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PGR vai retomar investigações contra Rodrigo Maia

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Procuradoria decidiu pedir o desarquivamento de fatos envolvendo Maia para poder reanalisar em um contexto ampliado as acusações ainda pendentes

Maia, reaproximação com Bolsonaro e problemas na PGR Cristiano Mariz/.

O amor que voltou a brotar entre Rodrigo Maia e Bolsonaro surge num momento difícil para o presidente da Câmara. Além de perder interlocução no Parlamento, ele voltará a sentir o bafo quente da Lava-Jato.

Recentemente, o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, cobrou uma posição da PGR sobre o inquérito relacionado às delações de executivos da Odebrecht.

A PGR decidiu pedir o desarquivamento de fatos envolvendo Maia para poder reanalisar em um contexto ampliado as acusações ainda pendentes contra ele. Além do inquérito da Odebrecht, Maia é alvo de investigação relacionada à empreiteira OAS.

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Após críticas, ministro da Saúde manda equipe assinar norma da cloroquina

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Contrariando recomendações de entidades científicas, a pasta orientou uso de medicamento contra a covid-19

Eduardo Pazuello: Ministério da Saúde tem sete secretarias, sendo que três estão com substitutos no comando (Valter Campanato/Agência Brasil)

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