ANDRÉ FLEURY MORAES E ROGÉRIO PAGNAN
FOLHAPRESS
O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu na quinta-feira (3) impedir a demissão do delegado da Polícia Civil Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado da Cunha.
A decisão foi tomada às 15h43 do mesmo dia, horas depois da exoneração do delegado ter sido oficializada no “Diário Oficial” do estado. A demissão foi justificada como necessária para o serviço público.
Da Cunha havia pedido na Justiça, desde 31 de agosto, que sua demissão fosse revista. Inicialmente, o tribunal negou o pedido, mas mudou de opinião e decidiu suspender a demissão.
O desembargador Álvaro Torres Júnior destacou que as informações apresentadas pela defesa indicam a necessidade de manter a situação atual, para evitar que a demissão ocorra antes de uma análise detalhada do caso.
Assim, o governo estadual está proibido de executar ou publicar o ato de demissão contra Da Cunha até que o processo seja concluído.
Isso significa que o delegado permanece no cargo até que o tribunal decida o caso definitivamente.
A demissão está ligada a um incidente ocorrido em julho de 2020, quando um homem foi sequestrado e levado a um “tribunal do crime” na favela da Nhocuné, zona leste de São Paulo.
Testemunhas e policiais relataram que dois agentes encontraram o cativeiro, prenderam o sequestrador e libertaram a vítima.
No entanto, Da Cunha teria mandado que a vítima fosse colocada novamente dentro do cativeiro, diante do criminoso, para que a operação fosse encenada para a equipe policial e para as câmeras.
Nas imagens feitas, Da Cunha aparece ouvindo atrás da porta e depois liderando a incursão no local, como se tivesse sido o responsável por descobrir o cativeiro, prender o suspeito e resgatar a vítima. Essas imagens foram divulgadas em emissoras de TV e nas redes sociais do delegado, o que ajudou a aumentar muito seu número de seguidores.
