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terça-feira, 17/03/2026




Justiça manda prender delegada suspeita de ligação com facção criminosa

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FOLHAPRESS

A Justiça de São Paulo decidiu prender de forma indefinida a delegada Layla Lima Ayub, 36 anos, que é suspeita de ter conexão com o PCC (Primeiro Comando da Capital), junto com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como líder dessa facção criminosa. Ambos estão presos desde janeiro.

Na decisão que confirmou a prisão, a 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro mencionou evidências de que a delegada acessou informações digitais de um delegado, compartilhou dados confidenciais da Academia da Polícia Civil e divulgou uma música que apoia o crime organizado.

Essas ações se somam às suspeitas iniciais já conhecidas quando Ayub foi presa. A investigação revelou que ela namora um membro da facção e atuou ilegalmente como advogada após se tornar delegada, defendendo suspeitos de envolvimento com facções criminosas no Pará.

A defesa da delegada não se pronunciou até a publicação desta reportagem, apesar das tentativas de contato feitas pela equipe.

O juiz responsável afirmou que o acesso às informações digitais foi para tentar evitar investigações, inclusive planejando formas de dificultar as apurações, além do risco de destruição de provas digitais, combinação de depoimentos e intimidação indireta aos agentes públicos.

Ayub assumiu o cargo de delegada em dezembro de 2025, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, com a presença do governador Tarcísio de Freitas. Ela estava em formação na Academia da Polícia Civil desde então.

Na cerimônia, ela estava acompanhada de Dedel, 28 anos, que estava em liberdade condicional desde novembro e é apontado como líder do PCC no Pará.

Uma investigação do Ministério Público de Roraima revelou que Dedel teve papel importante na expansão do PCC na região Norte do Brasil. A decisão judicial que ordenou sua prisão temporária indica que ele era responsável por atentados contra autoridades do sistema prisional e magistrados.

Os dois teriam se conhecido em 2025 em uma penitenciária em Marabá, Pará, onde Dedel estava preso. Antes de ser delegada, Ayub trabalhou como advogada na cidade, região com forte presença do PCC.

Ela ainda é formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, mas teria se separado após iniciar um relacionamento com Dedel.

Os investigadores destacaram que, após tomar posse como delegada, Ayub atuou irregularmente como advogada em uma audiência de custódia em 28 de dezembro, defendendo quatro presos ligados a facções criminosas, mesmo já tendo solicitado o cancelamento de sua carteira da OAB. Entretanto, seu registro ainda constava ativo na subseção de Marabá.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo também investiga um possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo Ayub e Dedel. Eles adquiriram recentemente uma padaria na zona leste da capital paulista.

A decisão da Justiça destacou a importância da prisão preventiva para garantir a ordem pública, devido à gravidade dos crimes e ao perigo social representado pelos investigados.




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