*Aviso: o texto aborda temas delicados como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém nessa situação, ligue 180 e denuncie.
Uma decisão judicial em São Paulo determinou que a investigação da morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, seja considerada feminicídio. Gisele foi encontrada morta em sua casa com um tiro na cabeça.
De acordo com Geraldo Neto, esposa de Gisele, ela teria cometido suicídio após uma discussão sobre a separação do casal, ocorrida em 18 de fevereiro, no apartamento onde moravam na região do Brás, centro de São Paulo. Segundo ele, estava tomando banho quando ouviu um disparo e encontrou Gisele ferida.
Inicialmente, a morte foi registrada como suicídio, mas a família de Gisele relatou que ela sofria abusos e violência doméstica por parte do marido, o que levou a polícia a tratar o caso como morte suspeita.
A juíza Giovanna Christina Colares determinou que o processo seja transferido para uma Vara do Tribunal do Júri, especializada em crimes contra a vida, de acordo com a gravidade do crime investigado.
Na sexta-feira, 6 de fevereiro, foi realizada a exumação do corpo de Gisele. Segundo o laudo pericial, que o Estadão teve acesso, foram encontradas lesões na face e pescoço da policial, causadas por pressão e escoriações compatíveis com arranhões, mas não havia ferimentos típicos de defesa.
A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto declarou que não teve acesso ao laudo pericial e afirmou que ele não é investigado ou suspeito até o momento e que tem colaborado com as investigações.
No laudo inicial feito um dia após a morte, constavam lesões no pescoço de Gisele, porém sem confirmação de serem lesões graves.
Com base nessas informações, policiais civis ouvidos pela reportagem avaliam que há uma maior chance do caso ser considerado feminicídio, conforme pleito da família, e que o pedido de prisão de Geraldo Neto pode ocorrer.
Estadão Conteúdo.
