A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à pesquisadora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que foi detida na segunda-feira (23) acusada de furtar materiais de pesquisa. Soledad chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, interior de São Paulo, mas já foi liberada conforme informação da Polícia Federal.
O suposto furto ocorreu no Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia, ligado à pesquisa de agentes infecciosos que afetam animais. Segundo a universidade, o laboratório trabalha com o estudo de vírus que causam doenças em aves e bovinos, mas não foi informado o que exatamente foi levado.
O advogado Pedro de Mattos Russo declarou à Folha que não houve furto e não existe prova do crime. Ele explicou que a pesquisadora utilizava as instalações do Instituto pois não possui laboratório próprio.
Em comunicado oficial, a Unicamp afirmou estar à disposição das autoridades para ajudar a esclarecer o caso.
O laboratório envolvido possui certificação para manipular materiais com níveis 2 e 3 de biossegurança, em uma escala que vai até o nível 4, tendo normas rigorosas para evitar riscos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a classe 2 envolve agentes com risco moderado de contágio para pessoas e baixo para a comunidade, enquanto a classe 3 representa alto risco pessoal e moderado para a população, com algumas doenças graves e transmissíveis pelo ar, mas tratáveis e preveníveis.
As amostras que desapareceram desde fevereiro, pertencentes ao Instituto de Biologia, foram recuperadas pela Polícia Federal em laboratórios usados pela pesquisadora e foram entregues ao Ministério da Agricultura e Pecuária. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também colaborou na investigação.
Além da prisão, foram realizados dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas.

