A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu, nesta quarta-feira (23/9), conceder habeas corpus ao rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. Com essa decisão unânime, o artista irá responder ao processo em liberdade e não será mais considerado foragido.
O tribunal eliminou as restrições de liberdade a que o músico estava submetido durante a ação penal que investiga sua suposta participação em lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV). Oruam é réu ao lado do pai, o traficante Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e de outros nove envolvidos.
O advogado de Oruam, Thiago Lemos, afirmou ao Metrópoles que a defesa pretende seguir buscando o encerramento da ação penal. Segundo ele, as provas do processo são ilegais, conforme apontado em laudo pericial, e acredita que a liberdade de seu cliente será restabelecida definitivamente.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) havia solicitado a prisão preventiva de Oruam alegando risco de fuga, mas a Justiça negou esse pedido.
Detalhes da denúncia
Em 30 de janeiro de 2026, o MPRJ denunciou Oruam, Marcinho VP e outras nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia foi aceita pela Justiça e tornou todos os envolvidos réus.
O processo indica a existência de um esquema estruturado para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas em comunidades do Rio de Janeiro. Apesar de estar preso há mais de 20 anos, Marcinho VP ainda exerce influência direta sobre o Comando Vermelho, dirigindo decisões estratégicas e movimentos financeiros da organização.
A denúncia revela que o grupo funcionava de modo organizado, com tarefas divididas e atuação constante. A administração financeira do esquema estaria sob responsabilidade de Márcia Nepomuceno, que recebia valores em espécie e ocultava bens através de empresas, imóveis e fazendas.
Divisão do grupo
- Liderança encarcerada: Marcinho VP, responsável pelas decisões estratégicas;
- Núcleo familiar: Márcia, Oruam e Lucas Nepomuceno, cuidando da gestão dos recursos;
- Suporte operacional: pessoas usadas como ‘testas de ferro’ para ocultar patrimônios;
- Liderança operacional: traficantes encarregados das ações nas comunidades e do repasse do dinheiro.

