A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, a Justiça do país decidiu levar a julgamento o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Ele é acusado de fazer uma declaração falsa sobre o financiamento de seu partido há cerca de seis anos. No domingo (7/6), Roberto Sánchez disputará a presidência contra a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori.
A decisão judicial não afetará o processo eleitoral. Se eleito, Roberto Sánchez terá imunidade, conforme estabelece a constituição peruana.
O juiz Adolfo Farfán declarou que há mérito para o julgamento oral contra Roberto Sánchez após uma audiência virtual de dois dias. O Ministério Público do Peru, que pediu uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão, concordou com a decisão.
A defesa de Roberto Sánchez informou que vai apelar da decisão, dentro do prazo de uma semana. Segundo o Ministério Público, há irregularidades nos relatórios financeiros do partido Juntos pelo Peru nas eleições regionais e municipais entre 2018 e 2020.
A acusação afirma que Roberto Sánchez teria recebido mais de US$ 57 mil em doações de integrantes de seu grupo político para atividades partidárias que não foram declaradas ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais.
O juiz afirmou que a acusação é válida e decidiu prosseguir com o julgamento, rejeitando as defesas técnicas dos advogados.
Contestação de Roberto Sánchez
Na semana passada, Roberto Sánchez participou da audiência virtual pouco antes de seu comício de encerramento de campanha em Lima, capital do Peru. Ele classificou o processo como uma mentira que tenta desacreditá-lo politicamente.
Roberto Sánchez alegou que o caso havia sido arquivado em 2025 por falta de provas. Nestas eleições, marcadas pela instabilidade política e aumento da criminalidade, ele se apresenta como a voz dos pobres e das áreas rurais do país.
Além disso, Roberto Sánchez acusa Keiko Fujimori de fazer parte de uma máfia política que contribui para a instabilidade no Peru, que já teve oito presidentes desde 2016. Quatro foram destituídos pelo Congresso, onde o partido de Fujimori, Força Popular, tem grande influência. Outros dois renunciaram antes de serem removidos, um cumpriu um mandato breve de oito meses, e o atual presidente interino entregará o poder em julho.

