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quarta-feira, 28/01/2026

Justiça de São Paulo mantém preso jovem por furto que teve testa tatuada à força

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Paulo Eduardo Dias
Folhapress

A Justiça de São Paulo decidiu que Ruan Rocha da Silva, 25 anos, continuará preso após ser detido por guardas-civis municipais de Diadema, no ABC paulista, por invadir uma Unidade Básica de Saúde e roubar uma lavadora de alta pressão.

Em 2017, ele ficou conhecido nacionalmente depois de ter sido torturado e ter a testa marcada à força com uma tatuagem que dizia “eu sou ladrão e vacilão” durante uma suposta tentativa de roubo de bicicleta em São Bernardo do Campo.

O flagrante feito esta semana foi convertido em prisão preventiva, ou seja, sem data para acabar. A decisão foi tomada em audiência de custódia realizada na quarta-feira (28). Ruan deve ser enviado para um Centro de Detenção Provisória. A defesa dele não foi encontrada para comentar.

De acordo com os guardas, eles foram chamados via rádio para atender a uma ocorrência de invasão na Unidade Básica de Saúde Jardim Casa Grande envolvendo um homem com colete laranja.

Quando chegaram, a unidade estava fechada, mas o alarme havia disparado. Pessoas esperando do lado de fora viram um homem saindo do local carregando uma lavadora de alta pressão.

Os guardas deram uma volta no quarteirão, entraram pelos fundos da unidade e acharam Silva na rua com o equipamento. Ele foi identificado pelo aplicativo Muralha e admitiu ter roubado o aparelho de um armário do posto de saúde. A defesa dele não foi localizada nesta terça-feira.

Ruan disse aos policiais que planejava vender a lavadora para conseguir dinheiro para comprar crack. O delegado fixou fiança de um salário mínimo, que não foi paga, e ele foi levado para a delegacia.

Ele já tinha passagem pelo sistema prisional desde fevereiro de 2019, quando foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Bernardo do Campo por furtar um celular LG K10 e R$20,30 de duas funcionárias de um pronto-socorro. Na época, tentou se justificar dizendo que procurou abrigo da chuva no hospital.

Silva foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão e cumpria pena em regime semiaberto, mas fugiu em 21 de outubro de 2019 e foi recapturado um dia depois.

Ele foi preso outras vezes por furto e também já passou por clínica para tratamento de dependência química. Silva também tem um processo aberto para remoção da tatuagem na testa.

Tatuagem foi feita sob tortura quando tinha 17 anos

Em 9 de junho de 2017, dois homens foram presos suspeitos de tatuar a frase no rosto de Silva, que tinha 17 anos na época.

O tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27 anos, e seu vizinho, o pedreiro Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos, foram presos e acusados de tortura.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os dois confessaram o crime.

De acordo com o boletim de ocorrência, a tortura aconteceu após o adolescente tentar roubar uma bicicleta, embora essa tentativa não tenha sido confirmada pela polícia.

O ato de tortura foi gravado com um celular e o vídeo circulou em grupos nas redes sociais.

A família do jovem acionou a polícia após reconhecerem as imagens e contou que ele era usuário de drogas.

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