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terça-feira, 07/07/2026

Justiça afasta chefe de comissão ambiental do Rio por fraude em licenças

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Em Brasília

BRUNA FANTTI E ALÉXIA SOUSA
FOLHAPRESS

A Justiça do Rio de Janeiro afastou temporariamente Maurício Couto Cesar Junior, que era presidente da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) e funcionário do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ele está sendo investigado pelo Ministério Público por suspeita de irregularidades na concessão de licenças ambientais.

Na manhã desta terça-feira (7), agentes da Promotoria cumpriram mandados de busca e apreensão contra ele e outros funcionários em uma ação chamada Operação Hidra de Lerna. Também são investigados o ex-presidente do Inea, Renato Jordão Bussiere, e o ex-vice-presidente, José Dias da Silva.

A Ceca, ligada à Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), é responsável por decisões sobre processos e políticas ambientais no estado.

Em comunicado, a Seas e o Inea disseram que acompanham a investigação do Ministério Público e estão interessados em apurar qualquer irregularidade na gestão ambiental. Eles afirmaram ainda que vão abrir processos internos para investigar eventuais falhas ou crimes no licenciamento ambiental.

Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), estão sendo investigados crimes como corrupção, prevaricação, advocacia administrativa e crimes ambientais. As suspeitas indicam que licenças foram concedidas sem seguir pareceres técnicos, leis e procedimentos corretos.

O promotor Leonardo Kataoka, do Gaesf, declarou que a investigação revelou que alguns licenciamentos de empresas com grande impacto ambiental foram acelerados de forma suspeita. Alguns funcionários mostraram ter um padrão de vida incompatível com seus salários.

Decisões feitas entre 2024 e 2025 pelo Inea e pela Ceca teriam favorecido projetos que causam grande impacto ambiental, concedendo licenças para instalação e operação, e liberando esses empreendimentos de fazer estudos ambientais, mesmo com dúvidas levantadas por técnicos do instituto e órgãos como o Ibama.

O Ministério Público também conseguiu autorização judicial para quebrar o sigilo dos aparelhos eletrônicos envolvidos. Maurício Couto Cesar Junior está proibido de entrar nas sedes do Inea e da Ceca e de conversar com funcionários.

Um dos quatroze investigados foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e levado para a delegacia do Catete. O nome dele não foi revelado.

Durante as buscas, foram recolhidos celulares, notebooks, HDs, pen drives, um iPad, documentos, relógios, R$ 23.980 em dinheiro, 4.440 euros e um revólver calibre 38.

O nome da operação se refere à Hidra de Lerna, uma figura da mitologia grega com muitas cabeças, simbolizando a suposta corrupção complexa e difundida no órgão investigado.

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