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segunda-feira, 02/02/2026

Juros sobem com possível nome de Guilherme Mello no BC

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MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS

Os juros futuros aumentaram nesta segunda-feira (2). De acordo com economistas consultados, a provável indicação de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central é um dos motivos para essa alta.

Por volta das 15h30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu levemente, mas para os anos seguintes houve aumento: o DI de janeiro de 2028 subiu de 12,69% para 12,72%; o de janeiro de 2029, de 12,69% para 12,76%; e o de janeiro de 2031, de 13,04% para 13,16%. Em 2035, a taxa foi de 13,30% para 13,40%.

Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Sung Research, o nome de Mello causa preocupação no mercado, aumentando o prêmio de risco, porque ele já defendeu juros mais baixos no passado, o que pode indicar que ele pressione por uma taxa Selic menor e acabe sendo uma voz contrária dentro do BC.

Sung destaca que todos os indicados do governo têm adotado uma postura técnica para controlar a inflação, mas será importante observar como Mello se comportará.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, explica que o mercado espera juros menores no curto prazo, mas maiores no longo prazo, o que reflete a queima do prêmio em 2027 e o aumento nas taxas futuras.

Perri ainda comenta que o maior risco é que Guilherme Mello tenha um voto sempre divergente, o que, caso se repita em um possível segundo mandato do presidente Lula, poderia mudar a composição do Copom e abrir espaço para uma política monetária mais flexível com a inflação.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a possível nomeação de Mello está sendo muito comentada nas reuniões matinais das principais instituições financeiras.

Com essa indicação, o presidente Lula pode estar sinalizando interferência política do PT no Banco Central, justamente em um momento delicado, marcado pela crise do Master e pela expectativa de queda da taxa Selic. Essa redução é esperada para a reunião do Copom em março, após um ciclo de aumento dos juros que os colocou em 15% ao ano.

Guilherme Mello conta com o apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele atualmente é secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e foi assessor econômico do PT na campanha presidencial de Haddad em 2018.

Mello também coordenou o grupo de economistas do PT na campanha vencedora de Lula em 2022. É considerado um economista de diálogo e com visão heterodoxa, tendo criticado a alta dos juros para 15% e a demora do Banco Central em iniciar a redução, prevista para 2025.

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