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sexta-feira, 06/02/2026

Juros altos causam recorde de dívidas atrasadas, mesmo com desemprego baixo

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Indicadores mostram que o número de pessoas com dívidas atrasadas atingiu níveis históricos, mesmo com o desemprego em um dos menores patamares já registrados.

Especialistas explicam que esse aumento nas dívidas atrasadas está ligado ao aumento da taxa básica de juros, a Selic, que vem subindo há um ano e meio. Além disso, prazos para pagar empréstimos ficaram menores e os bancos começaram a cobrar mais pelos créditos.

Camila Abdelmalack, economista da Serasa, destaca que o mercado de trabalho aquecido contribuiu indiretamente para essa alta, já que mais pessoas passaram a conseguir financiar compras.

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,1% no último trimestre de 2025, a menor desde 2012, segundo o IBGE.

Em 2024, a concessão de crédito crescia rapidamente enquanto a Selic estava em 10,5%. Com a Selic em 15%, o crédito ficou mais difícil e caro, complicando a renegociação das dívidas.

Segundo a Equifax Boa Vista, o número de pessoas com o nome negativado passou de 55 milhões para cerca de 59 milhões em 2025.

Ricardo Leite Raposo, líder de Strategic Analytics da Boa Vista, informa que, apesar do alto número de inadimplentes, o crescimento desta taxa tem diminuído.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) constatou que o endividamento em dezembro de 2025 chegou ao maior nível já registrado para o mês, com 78,9%.

Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, comenta que os juros altos e a cautela dos bancos ao encurtar prazos dificultaram o pagamento das dívidas.

O prazo médio para pagar dívidas caiu de 60,9 meses para 58,6 meses, e no crédito pessoal, de 71,24 para 67 meses, o que também impactou as vendas no comércio que cresceram só 2%, quando poderiam ter crescido cerca de 5% sem a alta dos juros.

Joelson Sampaio, professor de economia da FGV, explica que a alta da Selic teve impacto direto no aumento das taxas de empréstimos pessoais e, consequentemente, na inadimplência, criando um ciclo difícil de quebrar.

Dados do Banco Central mostram que o spread bancário (diferença entre as taxas de juros cobradas pelos bancos) subiu de 17,5% para 20,9% em 2025.

Embora o endividamento elevado comprometa o consumo futuro, acredita-se que a situação possa melhorar com a queda das taxas de juros prevista para este ano.

Uma nova regra do Conselho Monetário Nacional (CMN) que mudou a definição de inadimplência também complicou comparação de dados anteriores a 2025. Segundo Luiz Fernando Castelli, gerente de Assuntos Econômicos da Febraban, parte da alta foi consequência dessa mudança, e as instituições financeiras estão mais cautelosas.

Apesar de um crescimento modesto dos atrasos em parcelas, setores como cheque especial e cartão de crédito mostraram aumentos significativos nas taxas de inadimplência, destacando a urgência de atenção para esses tipos de crédito.

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