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domingo, 30/11/2025

Júri condena ex-motorista do Rei da Soja a um ano de prisão por morte de ex-senador boliviano

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São Paulo, 26 – A 5.ª Vara do Júri de São Paulo decidiu condenar a Miguel da Silva Ferreira, que foi motorista do empresário Olacyr de Moraes, conhecido como o ‘Rei da Soja’, a um ano de reclusão. Ele foi acusado pelo assassinato do ex-senador e diplomata boliviano Andrés Hermin Heredia Guzman, que foi morto com quatro disparos em 4 de abril de 2014, na Rua Engenheiro Oscar Americano, Morumbi.

Após 11 horas de sessão, incluindo debates e análise de documentos, os jurados aceitaram o argumento da defesa de que Miguel não pretendia matar Guzman e alteraram a acusação para homicídio culposo. A juíza Isadora Botti Beraldo Moro decretou a extinção da punibilidade do réu de 73 anos devido à prescrição.

O julgamento aconteceu na terça-feira, dia 24. Olacyr, natural de Itápolis, São Paulo, nascido em 1º de abril de 1931, foi o maior produtor individual de soja nos anos 1980, sendo conhecido como ‘Rei da Soja’.

O processo começou às 9h e terminou às 20h, presidido pela juíza Isadora Botti Beraldo Moro. A promotoria foi conduzida pela promotora Daniela Romanelli da Silva. A defesa do réu foi realizada pelos advogados Sérgio Rosenthal, Adriano Salles Vanni e Pedro Luiz Cunha Alves de Oliveira.

A promotoria alegou que Miguel teria cometido homicídio qualificado, atirando em Guzman enquanto ele dirigia o carro, um crime que prevê pena de 12 a 30 anos. Segundo a acusação, armado com um revólver, Miguel teria pedido uma carona e atirado de surpresa contra o ex-senador na Avenida Oscar Americano.

A defesa argumentou que Miguel não queria matar o ex-senador, apenas intimidá-lo para interromper a suposta extorsão a que submetia Olacyr. Naquele dia, Guzman havia recebido R$ 400 mil de Olacyr. Miguel acreditava que ele estava roubando e enganando seu patrão, por quem tinha grande lealdade.

O incidente ocorreu à tarde, em 4 de abril de 2014. Armado com um revólver calibre 38, Miguel disparou quatro tiros que atingiram o rosto e o peito do ex-senador, dentro de uma Cherokee blindada dirigida por Guzman. Segundo a defesa, a confusão surgiu quando Miguel tentou deter Guzman e os dois lutaram pela arma, resultando nos disparos.

Durante o julgamento, sete testemunhas foram ouvidas: pela acusação, o delegado Carlos Battista, os investigadores André Pereira dos Santos e Marcelo Wagner Zaitune, e o policial militar Rodrigo Looze da Silva. Pela defesa, Ivo Dias Junior, Marcelo dos Santos Pereira e João Roberto Ventura. Eles alegaram que havia uma crença comum de que Guzman enganava Olacyr, e que Miguel agia por lealdade ao patrão, que estava doente.

Olacyr faleceu em junho de 2015, aos 84 anos, devido a um câncer no pâncreas, pouco mais de um ano após a morte de Guzman. Ele mantinha uma relação comercial e de amizade com o ex-senador por mais de 20 anos, hospedando-o frequentemente em sua casa no Itaim.

Miguel afirmou à polícia que pretendia apenas assustar Guzman para que parasse de tirar dinheiro de Olacyr, que estava muito doente na época. Confirmou também a versão dada no momento da prisão, dizendo que agiu por impulso e movido pela indignação ao ver seu patrão ser enganado.

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