O julgamento dos homens acusados de envolvimento na morte de Bruno Pereira e Dom Phillips será realizado em Manaus. A decisão foi tomada para garantir a segurança dos envolvidos e a imparcialidade do júri, já que havia riscos em manter o julgamento em Tabatinga (AM), conforme informou o Ministério Público Federal (MPF).
O MPF argumentou que realizar o julgamento em Tabatinga poderia atrasar o processo. Por isso, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou a transferência do julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima para Manaus, onde o processo agora seguirá para a etapa de julgamento, embora ainda não tenha data definida para começar.
Segundo o procurador da República em Tabatinga, Guilherme Diego Rodrigues Leal, a mudança visa acelerar o julgamento para que os responsáveis sejam condenados o quanto antes. Com a decisão, os processos contra os dois réus vão tramitar de forma separada, facilitando o andamento.
O caso trata do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ambos mortos a tiros em 5 de junho de 2022, durante uma visita a comunidades próximas da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. Desde o início, o MPF tem atuado para responsabilizar os envolvidos e garantir a Justiça.
O MPF destacou o risco para todos os participantes do julgamento se ele ocorresse em Tabatinga, uma cidade pequena com presença significativa de facções criminosas, fato que poderia prejudicar a ordem e a segurança do júri, do juiz e dos envolvidos. A juíza federal Cristina Lazarri Souza afirmou que a mudança é necessária para assegurar um ambiente justo e seguro para o julgamento.
A ação penal envolve os réus Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, acusados de homicídio e ocultação de cadáver. Amarildo também responde por organização criminosa. A periculosidade de Amarildo foi destacada pelo MPF, que ressaltou os riscos de realizar o julgamento em uma cidade pequena com forte influência de facções.
Pedidos da defesa para anular o processo e incluir reportagens jornalísticas foram negados pela Justiça Federal de Tabatinga, que afirmou que matérias jornalísticas não têm valor como prova. As defesas dos réus não se manifestaram até o momento.
Bruno Pereira desapareceu junto com Dom Phillips em 5 de junho de 2022 durante viagem pela Amazônia. Os restos mortais foram encontrados dez dias depois. Eles foram mortos, esquartejados, queimados e enterrados, conforme concluiu a perícia.
Bruno era defensor dos povos indígenas e atuava fiscalizando invasores. Apesar de ter sido exonerado da Funai em 2019, continuou seu trabalho como consultor da Univaja. Deixou esposa e filho.
Dom Phillips, nascido na Inglaterra, morava no Brasil há 15 anos. Ele começou sua carreira como jornalista por paixão à música e acabou estabelecendo-se no país. Morou no Rio de Janeiro e depois na Bahia, onde atuava como professor voluntário de inglês. Dom e Bruno se conheceram em 2018 e tinham interesse comum na Terra Indígena Vale do Javari.
