RICARDO MIRANDA
JUIZ DE FORA, MG (FOLHAPRESS)
O centro comercial de Juiz de Fora estava fechado nesta sexta-feira (27), mostrando os efeitos das chuvas fortes que atingiram a região da Zona da Mata em Minas Gerais desde segunda-feira (23). As cidades vizinhas, Ubá e Matias Barbosa, também foram muito afetadas. Mais de 60 pessoas morreram devido às tempestades.
Para o comerciante Gevalmir Moreira Carneiro, 59 anos, que tem uma loja no bairro Vitorino Braga, uma das áreas mais prejudicadas, não há um novo começo. “Eu tento seguir em frente, mas a história se repete com a água voltando e trazendo grandes prejuízos.”
Na madrugada de terça-feira (24), a água entrou na loja de Carneiro, chegando a 1,8 metro de altura, danificando freezers e equipamentos. Ele disse que essa é a terceira vez em dois anos que isso acontece. “Eu só não desisto por causa dos amigos e das pessoas boas que aparecem para ajudar.”
O empresário Sebastião Ribeiro, 47 anos, dono da loja Sagrado Bebê no centro da cidade, relatou que esta semana foi uma das mais difíceis de sua vida no comércio. “O que passamos aqui foi devastador. As chuvas deixaram muita destruição e uma tristeza profunda. O comércio não tinha clima para funcionar.”
Ribeiro comparou o sentimento destes dias ao que a cidade sentiu na pandemia da Covid-19. “Na quarta-feira (25), era medo e insegurança, uma tristeza que tirava a vontade de trabalhar.” Ele decidiu manter a loja fechada para respeitar a dor da população.
Em Matias Barbosa, onde o centro comercial foi destruído pela cheia do rio Paraibuna, Daniel Ronnier Franco, conhecido como Ronninho Gás, 40 anos, perdeu 350 botijões de gás do seu depósito.
“Meu depósito foi destruído e sei que não vou recuperar tudo.” Ele permanece esperançoso. “Estou animado para continuar, obrigado a Deus. Vamos seguir em frente.”
Em Ubá, também muito afetada pelas chuvas, o empresário do setor moveleiro Renan Ferraz, 30 anos, disse que ainda não é momento para reconstruir. “Estamos tentando diminuir os danos causados pela chuva. Isso vai levar tempo. Agora, a prioridade é levar comida às pessoas.”
Ele contou que as grandes fábricas não foram tão afetadas, mas a infraestrutura danificada dificulta o retorno das atividades. “Há problemas para locomoção e muitos trabalhadores foram impactados. Temos que aguardar.”
Devido ao estado de emergência declarado, as autoridades municipais e entidades comerciais estão cautelosas em relação à recuperação total da economia.
O setor público também enfrenta graves dificuldades, principalmente na área da educação, sem previsão do retorno das aulas.
Segundo a prefeitura, Juiz de Fora ainda tem mais de 4.200 pessoas desabrigadas ou desalojadas.
A cidade permanece em estado de calamidade pública desde a última terça-feira.
Moradores receberam alerta da Defesa Civil sobre os riscos das tempestades pouco antes das chuvas chegarem.

