Carlos Villela
FolhaPress
A Polícia Civil de Santa Catarina anunciou nesta quinta-feira (29) a apreensão dos celulares de dois adolescentes suspeitos de participar da agressão que matou o cachorro Orelha em Florianópolis (SC).
Os jovens retornaram ao Brasil nesta quinta-feira após uma viagem de formatura para a Disney, nos Estados Unidos, que já estava programada antes do ataque. Os celulares foram apreendidos na chegada e os adolescentes foram convocados para depor.
Quatro adolescentes estão sendo investigados por envolvimento na agressão ao cão comunitário que morava na região da Praia Brava, ao norte da capital catarinense. Devido aos ferimentos graves, o animal foi submetido à eutanásia.
A Vara da Infância e Juventude autorizou os mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos pela Delegacia Especializada de Apuração de Atos Infracionais (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), com apoio da Delegacia de Proteção ao Turista do aeroporto e da Polícia Militar.
A Polícia Federal ajudou a identificar o voo dos adolescentes.
O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, disse que os celulares apreendidos serão analisados pela perícia junto com os aparelhos recolhidos na operação de segunda-feira (26).
Na terça-feira (27), o delegado manifestou preocupação com possíveis protestos no Aeroporto Internacional de Florianópolis durante o retorno dos jovens, o que poderia causar problemas.
O desembarque foi acompanhado por reforço policial e os adolescentes estavam acompanhados por outros jovens que também voltaram da viagem.
Ulisses Gabriel informou em redes sociais que pediu o laudo pericial sobre o corpo do cachorro Orelha. Segundo a polícia, o animal recebeu golpes na cabeça com um objeto ainda não identificado.
A defesa de dois dos adolescentes suspeitos afirmou, em nota, que não existem vídeos ou imagens que comprovem o momento da agressão.
Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte disseram que a ausência de vídeos confirma que não houve cenas apagadas sob coerção, refutando rumores.
“Pedimos cautela e responsabilidade na divulgação de imagens e mensagens que não correspondem à verdade dos fatos, para evitar um linchamento virtual das famílias”, concluiu o texto.
O ataque aconteceu em 4 de janeiro. Moradores encontraram o cachorro ferido e o levaram ao veterinário, mas o animal foi eutanasiado no dia seguinte. O caso foi registrado na Polícia Civil em 16 de janeiro. O cão tinha cerca de 10 anos e era cuidado pela comunidade.
Além das apreensões, a polícia indiciou dois pais e um tio dos envolvidos pela suspeita de coação de testemunhas.
Justiça ordena remoção de imagens dos adolescentes
A Justiça determinou que imagens que mostrem os jovens supostamente envolvidos sejam removidas e não possam ser republicadas nas redes sociais Meta (Instagram e Facebook) e ByteDance (TikTok). As empresas têm 24 horas para excluir os conteúdos.
O juiz que concedeu a liminar destacou que a decisão está em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente.
A Polícia Civil também investiga se os adolescentes teriam participado de outro caso de maus-tratos contra um cachorro que teria sido jogado no mar, mas que conseguiu escapar. O animal foi adotado pelo delegado-geral e recebeu o nome de Caramelo.
