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sexta-feira, 10/04/2026

Jovens mais felizes longe das redes sociais

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Em Brasília

Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
*Por Beatriz Ocké, Isabella Ribeiro e Nathaly Ferreira

O Relatório da Felicidade de 2026, que ouviu jovens de 50 países, mostrou que usar muito as redes sociais está deixando muitos adolescentes menos felizes. O psicólogo comportamental Jayme Pinheiro Rabelo, que trabalha em Brasília (DF), explica que isso acontece porque o mundo digital muda a forma como as pessoas se veem.

Ele diz que as redes sociais fazem com que as pessoas se comparem sempre e sejam bombardeadas por muitos estímulos, o que pode prejudicar a felicidade.

Para o especialista, o uso das redes é uma questão comum a muitos, mas os efeitos mudam conforme a situação de cada um. Ele também comenta que, com tanta tecnologia mudando rápido, é difícil acompanhar tudo e isso pode causar sensação de cansaço e estresse.

Vulnerabilidade

Jayme Pinheiro Rabelo afirma que o problema do uso exagerado não está no aparelho em si, mas nos estímulos que ele oferece, que podem causar dependência.

Ele destaca que o principal desafio é perceber esse problema e entender como cada pessoa lida com o mundo digital. “O mais difícil é a tomada de consciência. A psicoterapia ajuda o paciente a entender essa relação”, diz.

O psicólogo também ressalta que a exposição constante a estímulos pode deixar algumas pessoas mais vulneráveis, facilitando que entrem em contato com diferentes ideias e conteúdos do mundo digital.

“Fora da rede”

O estudante de economia Luís Felipe de Souza, 19 anos, conta que, depois de ligar e desligar sua conta no Instagram por anos, se sente mais feliz desde que decidiu deletar definitivamente essa e outras redes sociais que usava.

Ele chegou a essa decisão após refletir sobre o quanto o tempo nas redes atrapalhava suas tarefas diárias. “Acho que não tenho maturidade para usar e equilibrar com minha vida pessoal”, explica.

Sem tanto contato com a sobrecarga do ambiente virtual, Luís sente que consegue focar mais na sua vida e no que pode controlar. E explica que as informações importantes chegam até ele pelos amigos que continuam conectados.

Ele lembra que o tempo gasto nas redes o impedia de se dedicar a si mesmo e que as redes sociais o faziam se sentir perdido por causa do excesso de informações.

“Querendo ou não, a gente é bombardeado o tempo inteiro com informação, moda nova e dança. Isso me faz mal”, desabafa.

Luís também aponta que a comparação com os outros é perigosa, pois muitas das realidades mostradas são difíceis de alcançar para a maioria.

“A rede social mostra um mundo muito bom para as outras pessoas e ruim para você. Parece que sua vida é pior comparada às dos outros”, diz Luís

Para ele, a felicidade é algo “relativo”, mas agora acontece com mais frequência. Sem as curvas de euforia causadas pelas telas infinitas, ele se sente melhor, mais presente para as pessoas e acredita que deixar as redes foi um sacrifício que valeu a pena.

“Mais prazer”

Vinícius Alves, servidor público de 24 anos, que decidiu se afastar das redes sociais depois de perceber que o uso exagerado o afetava, descreve: “Estar sem redes sociais é mais prazeroso, mas o processo é difícil”.

Vinícius conta que usa o celular cerca de 80% do tempo desde que acorda. Esse costume levou ao doomscrolling, que é a vontade compulsiva de consumir conteúdos negativos ou sem importância por muito tempo.

Dados do DataReportal mostram que no começo de 2025 o Brasil tinha 183 milhões de usuários de internet. Destes, 10,1% têm entre 18 e 24 anos, faixa em que o uso intenso das redes sociais é comum.

Procrastinação

Vinícius revela que começou a usar redes sociais na adolescência para escapar da realidade, mas com o tempo o uso aumentou e passou a atrapalhar sua rotina, causando procrastinação e dificuldade de concentração. O medo de ficar desconectado gerava insegurança.

Esse sentimento fez com que ele demorasse a se afastar das redes. Ainda assim, procurou diminuir seu tempo no Instagram, onde sentia mais impacto do algoritmo. Em janeiro deste ano, Vinícius apagou todas as redes para retomar o controle da situação.

Lidar com o tédio

Sem as redes, ele diz que aprendeu a lidar melhor com o tédio e se sente mais calmo. Porém, durante o carnaval, enfrentou problemas pessoais e voltou ao consumo de conteúdos, principalmente no TikTok. “Passei por momentos difíceis e precisava daquela dopamina barata”, conta.

Hoje, ele considera que está numa fase pior de dependência do que antes, mas tem certeza que é mais feliz longe das redes. Reconhece a necessidade de se desconectar novamente, mesmo com dificuldades.

“Para mim, é como estar preso a um vício porque o medo de ficar de fora ou perder algo pesa muito.”

*Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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