Especialistas alertam que os cigarros eletrônicos têm atraído muitos jovens que nunca fumaram, aumentando o risco de dependência da nicotina. Essa preocupação foi discutida em uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, organizada pela senadora Damares Alves.
André Salem Szklo, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), destacou que esses dispositivos não são menos perigosos que os cigarros tradicionais, pois acabam iniciando uma nova geração no vício do tabaco. Estudos mostram que quase 90% dos jovens adultos que usam vapes nunca fumaram antes e muitos acabam migrando para o cigarro comum.
João Paulo Lotufo, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), e Flávia Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), ressaltaram os impactos graves à saúde dos adolescentes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024 mostram que o uso de cigarros eletrônicos subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Lotufo avisou sobre o surgimento de doenças sérias, enquanto Fernandes explicou que a nicotina causa dependência rápida e pode prejudicar o cérebro em desenvolvimento.
A senadora Damares Alves manifestou preocupação com o consumo por crianças pequenas, até 10 anos, que são atraídas por produtos com gostos e formatos chamativos. Ela criticou a indústria do tabaco por promover esses dispositivos para ganhar dinheiro, mesmo sabendo dos riscos para a saúde dos jovens.
Marcelo Couto Dias, secretário de Família, Cidadania e Segurança Alimentar de Osasco (SP), apontou que a fiscalização atual é fraca, especialmente na internet, principal meio de venda. Ele afirmou que liberar esses produtos pode aumentar o consumo, baseado em exemplos de outros países.
O debate surgiu por causa do projeto de lei 5.008/2023, proposto pela senadora Soraya Thronicke, que busca regulamentar a produção e venda dos cigarros eletrônicos. O projeto está pronto para votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e ainda será analisado por outras comissões. Em uma consulta pública no Portal e-Cidadania, mais de 18 mil pessoas apoiaram a proposta e cerca de 14 mil foram contra.

